Sociedade | 04-02-2018 07:03

O operário que ajuda a dinamizar a cultura em Vialonga

O operário que ajuda a dinamizar a cultura em Vialonga
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Ideia. Marcos Rebocho decidiu andar a dinamizar a freguesia - foto O MIRANTE

Marcos Rebocho tem 41 anos e é um dos fundadores do VEM.

Chama-se Vialonga Em Movimento (VEM) e é um projecto feito por carolice em que o objectivo é oferecer eventos culturais e desportivos gratuitos à freguesia de Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira. Prestes a completar ano e meio de vida, o projecto é um êxito e já faz parte do quotidiano da vila. Marcos Rebocho é um dos seus mentores.

Marcos Rebocho tem 41 anos, vive em Vialonga desde os seis e é operário numa fábrica de produção de batatas fritas no Carregado. Nos tempos livres dedica-se à dinamização do projecto VEM – Vialonga Em Movimento, que há mais de ano e meio tem dinamizado eventos culturais e desportivos gratuitos para a comunidade.
Marcos cresceu num tempo em que Vialonga era bem diferente, uma terra mais conhecida pelas dificuldades sociais e criminalidade. Entretanto foi crescendo e as coisas mudaram para melhor. “Está muito melhor, neste momento temos coisas que não tínhamos há uns anos. Claro que ainda nos falta uma escola secundária e umas piscinas, por exemplo, mas a verdade é que aos poucos fomos crescendo e cada vez mais pessoas vêm para cá morar”, conta.
Quando deixou de estudar, aos 18 anos, arranjou o seu primeiro emprego no aeroporto de Lisboa, a carregar bagagens. Dois anos depois soube da vaga na fábrica do Carregado e arriscou. Está lá até hoje. O seu trabalho é focado na produção, lidando directamente com todo o processo da batata, desde a recepção da batata crua até à embalagem do produto frito. “De quatro em quatro horas temos de realizar algumas provas para qualidade”, confessa, admitindo que no início era algo que fazia com maior prazer. Mas ainda não enjoou batata frita.
Nunca teve uma profissão de sonho. “Fui-me deixando levar pelo que a vida me trouxe, nunca tive um objectivo concreto de ser engenheiro, doutor ou advogado. Fui vivendo a vida ao correr do vento”, conta.

Um projecto em crescimento
O projecto VEM começou como uma tentativa pessoal de fazer algo de bom e diferente na freguesia e actualmente já começa a ser um projecto com alguma envergadura e responsabilidade. “Gosto de Vialonga e sinto que Vialonga a nível de oferta cultural pouco tinha para oferecer. Se não houver alguém a fazer algo não se faz nada. Gostava que as coisas acontecessem em Vialonga e por isso preparei este projecto”, refere a O MIRANTE.
Actualmente, a maioria dos projectos já é desenvolvida com o apoio da junta de freguesia local, que viu nele o potencial de dinamizar a população. Juntamente com Ana Luísa, uma comerciante local, Marcos tem levado o projecto adiante. Entre as iniciativas já realizadas estão palestras sobre vários temas – uma das primeiras sobre autismo -, exposições de fotografia, workshop de fado, feiras de artesanato e uma amostra de teatro, que este ano se realizará em Maio. Sempre tudo com entrada livre.
Dois dos eventos com mais adesão da comunidade são o “Verão em Movimento”, que se realizou nas manhãs de domingo no parque urbano da vila e o Vialonga Fest, em Santa Eulália, festival de música que vai já para a terceira edição.
“Sentimos que cada vez há mais envolvência da freguesia. As pessoas já nos perguntam o que acontecerá a seguir e algumas já nos procuram para nos falar das suas ideias. É sinal que o nosso trabalho está a ser reconhecido. Somos sobretudo um movimento de cidadania”, conclui.
Uma das próximas iniciativas é uma maratona fotográfica pela freguesia, onde os melhores trabalhos serão depois expostos durante as festas de Vialonga.

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