Sociedade | 15-02-2018 17:17

Calhandrice e mal-dizer no Enterro do Galo em Alpiarça

Calhandrice e mal-dizer no Enterro do Galo em Alpiarça
FOTO D.R.

Tradição decorreu na noite de Quarta-Feira de Cinzas, 14 de Fevereiro.

O Enterro do Galo voltou a realizar-se em Alpiarça na Quarta-Feira de Cinzas, 14 de Fevereiro. Trajados a rigor com um lençol branco preso na cabeça os elementos da Banda da Sociedade Filarmónica Alpiarcense 1º Dezembro percorreram a principal rua da vila entre a sede da banda e o pavilhão d' Os Águias de Alpiarça onde foi lido o testamento do galo.

O Enterro do Galo em Alpiarça é uma tradição que remonta aos anos 30 do século passado. A AIDIA - Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça - retomou a tradição em 2014 depois de ter estado cerca de dez anos sem se realizar. O MIRANTE publica alguns dos versos do testamento do galo de Alpiarça.

Minhas senhoras e meus senhores
Isto agora é a doer
O Enterro vai começar
Vão as orelhas arder

Há uma menina em Alpiarça
Que anda muito no Sr. Doutor
Quando o marido lhe quer dar a pica
Diz-lhe sempre que tem uma dor

Ele chegou a dizer-me
Com uma grande aflição
Lá em casa nunca ralho
Quando ela me tira a tesão

Ai amigo se tu soubesses
A perigosa que ela é
Estavas atento ao fodilhão
Que te entra p’la chaminé

Ela sabe-a bem sabida
Não há bela sem senão
O marido acha-a uma querida
Ah pancona d’um cabrão

Eu disse aqui há um ano
Que os Correios não prestavam
O que disse é verdade
Eles pensam que nos enganavam

Os Correios são da gente
E a gente somos nós
Foram criados antigamente
No tempo dos nossos avós

Já que falámos em cornos
Achamos que a moda pegou
Porque o Governo ainda há pouco
A nova onda aproveitou

Vai daí com grande pressa
Criou sem outras demoras
Pra combater os incêndios
O batalhão de cabras sapadoras

Propomos por isso mesmo
Que se criem novos batalhões
Aproveitando sem demora
Uma multidão de grandes cabrões

Serão cabrões sapadores
No Estado com novas funções
Descobrir e acabar
Com os corruptos vendilhões

Fui PR’AÍ num belo dia
À posse da Assembleia Municipal
Esperava a festa da democracia
E encontrei um funeral

A raiva andava no ar
Era tudo muito frio
Como poderemos andar
A viver neste vazio?

O que deveria ser
Um encontro de vizinhos
Foi uma guerra surda de estranhos
Com diferentes caminhos

O líder da situação
Parecia que lia drogado
E quem leu na oposição
Parecia muito enervado

Foi mau de mais o que vi
Não iremos a nenhum lado
O orgulho não se ganha
Com cada lado zangado

Olhemos a todos por igual
Acabe-se com a divisão
De vizinhos que nesta terra
Devem ver o outro como irmão

Era uma vez um X’QUIM
Que na charneca habitava
Como quem vem d’Almeirim
E à Patracola virava

O X’quim fez-se adoentado
E foi ao médico especialista
Queixar-se um GANDA bocado
De uma certa falta de vista

O ouvido já lhe faltava
Não enxergava pra nenhum lado
Mas o que mais o apoquentava
Era o barbo sempre mirrado

O médico topou logo o sentido
E viu-o como se fosse ao espelho
Receitou-lhe um certo comprimido
Prárrebitar o zerimbelho

Vai deixar de ficar “mouco”
É um remédio milagreiro
Mas cuidado, pouco a pouco
Não tome o frasco por inteiro!!!

Sem nada ter percebido
Daquela receita aviada
Viu o azul do comprimido
E pensou que um não era nada

Abriu a boca bem aberta
E emborcou não dois nem três
Cagou-se prá dose certa
E engoliu 6 duma vez

Seis VIAGRAS então tomou
De um pacote quase inteiro
E a gaita logo empinou
Mais parecia um corneteiro

Quem é quem é
Que se depila e fica brilhante
Pra ir aos bailes da Sociedade
Vestido de puta espampanante

Olha-se bem nos espelhos
E gosta de se ver mulher
Rapa muito bem os pintelhos
Pra saberem o que ele quer

De brincadeira em brincadeira
Põe-se a jeito na confusão
Pra lhe apalparem o cu
E aí não diz que não

Pois que faça bom proveito
Este cagão com estilo
Pró apalparem põe-se a jeito
Digam lá o que é aquilo

Está a chegar o momento
Ansiosamente esperado
Da inauguração do novo jardim
Até ando apoquentado

Passei há dias por lá
E fiquei muito espantado
De jardim nada lhe vi
Devo andar muito enganado

O que lá está minha gente
É só pedra e mais betão
Até tem um arruamento
Só lhe falta pôr alcatrão

Tem uma casa em cubo
Que parece um crematório
E outro cubo ao lado
Que deve ser um velório

Este é um jardim de pedra
Sem árvores antigas e sem gosto
Com cimento em vez de flores
Sinto em mim grande desgosto

Anda aí um casalinho
Com muitas noites sem dormir
Passam a vida a comer-se
Nunca param de cobrir

Nessas noites escaldantes
De que agora vos falo
Ele grunhe como um porco
E ela relincha como um cavalo

Ai garanhão dá-me agora
Mergulha bem lá no fundo
Sente o calor desta brasa
Da melhor coisa do mundo

Estava ele no banquete
A comer-lhe o berbigão
Arrumou-lhe um GANDA peido
Parecia um tiro de canhão

Ai coração o que foi isto???
Estão-nos aqui a assaltar
Ouvi um tiro, com certeza
Que nos estão a matar

Deste drama amoroso
Ninguém aqui fica a rir
Do vergalho a espetar
E gases de escape a explodir

Até na nossa vala
Ninguém consegue pescar
Com a erva a tapar toda a água
Nem a minhoca lá pode entrar!

E por falar em pesca
Não sei quem aguenta
Ir à pescar na barragem
Com a água suja e fedorenta!

Lá no nosso Agrupamento
Aquilo é uma confusão
Há tão poucos funcionários
E o chefe é um calão!

Passa os dias lá sentado
Sem fazer nada ao patrão
Mas quando chega o fim do mês
Leva um ordenadão!

Mais uma coisa, já agora
Não nos podemos esquecer
Que os almoços lá na Escola
São difíceis de comer!

Olha, olha, até que enfim
Que já chegou o alcatrão
? Não será por termos tido
Um ano com uma eleição?

Que bom seria por isso
Todos os anos com eleições
De certeza que só assim
Se faziam construções.

Há pr’aí um rapazola
Não sei se há quem o veja
Tem um bom cargo de mando
E barriga de cerveja

Gosta de mandar à maneira
E só lhe falta o chicote
Pensa que é o maior
Embora seja baixote

Diz ser grande democrata
Amigo dos trabalhadores
Mas passa a vida a humilhar
Quem não lhe faça favores

Obrigou uma funcionária
A limpar-lhe a retrete
Que acabara de cagar
E deixar grande cheirete

Como se isso não bastasse
Para lhe causar mais danos
Informou-a só por gozo
Que era uma prenda de anos

Por isso não lhe perdoam
Toda esta humilhação
E hoje só o conhecem
Como o Chefe do Cagalhão

Minha gente vou dar uma viva
E canto alto no meu poleiro
Alpiarça tem três obras novas
Que dão brado no mundo inteiro

Vivam as três obras sem jeito
Que dizem que o rei vai nu
Vivam os arquitectos e engenheiros
Que têm a imaginação no cu

A primeira obra é um aquário
Para lá porem salmões
Ou pode ser um aviário
Se não vierem os tubarões

A segunda é o jardim do Museu
Um dos nossos melhores museus
Com bancos pr’assar tomates
De todos menos os meus

A terceira é o jardim
Feito de pedra e cimento
Mais duas casas sem jeito
Aquilo é um desalento

Assim gastam o dinheiro
Que é suor do nosso povo
Para alimentar vaidades
E não trazer nada de novo

Aos políticos do costume
Deixo as penas do cagueiro
Para acabarem com as guerras
Que fazem no ano inteiro

Aos vigaristas e rufiões
Aos daquela seita malvada
Deixo o meu bico afiado
Para lhes enfiar na rabada

Aos que fingem sempre ser
Aquilo que nunca são
Podem espetar-lhes no cu
Este meu grande esporão

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