Sociedade | 15-02-2018 18:38

Pouca gente num Enterro do Galo da Chamusca "manso" e sem críticas à câmara

Pouca gente num Enterro do Galo da Chamusca "manso" e sem críticas à câmara
CHAMUSCA
Foto O MIRANTE

Pela primeira vez os organizadores recusaram fornecer as quadras a O MIRANTE.

O "Enterro do Galo" da Chamusca, que se realiza na noite de Quarta-feira de Cinzas e que costumava ter uma sala a abarrotar para ouvir as quadras de mal dizer que condensavam os acontecimentos do ano, realizou-se ontem à noite num salão do Grupo Dramático Musical - JPN meio vazio.

Um dos principais motivos para o crescente desinteresse da população parece ser o quase desaparecimento das abundantes e divertidas críticas que eram dirigidas ao poder local.

O presidente da autarquia e a vice-presidente, costumavam ser zurzidos sem dó nem piedade para gáudio dos que assistiam mas o ano passado, que foi de eleições, tudo mudou e os organizadores até chegaram a fazer apelos directos à reeleição de Paulo Queimado com quadras como esta: Quando forem votar / Lembrem-se do que se fez / Foram festas a bombar / E à vontade do freguês.

A maior parte dos versos são normalmente dedicadas às traições amorosas, casos ridículos e calhandrices da vida de cada um e isso voltou a acontecer. Assim como também voltaram a ser gozadas instituições que têm importância, para equilibrar a balança.

O MIRANTE, que todos os anos tinha a sua dose de quadras críticas, viu a mesma aumentar. Infelizmente não as pode divulgar de imediato porque, pela primeira vez na história do Enterro do Galo, as quadras não nos foram facultadas. E tal facto até foi anunciado logo de início. "O MIRANTE é inventor/ Diz coisas sem conexão/ Este ano se quiser as quadras/ Tem que fazer uma gravação".

Mesmo antes do conselho O MIRANTE já tinha decidido gravar embora, passe a brincadeira, tenha ficado com a impressão que, sendo as quadras relativas à câmara municipal tão respeitosas as mesmas não ficariam mal numa próxima edição do Boletim Municipal , numa zona destinada aos bons exemplos de "críticas construtivas" .

Entretanto, enquanto tentamos arranjar tempo para ouvir a gravação, recuperamos excertos do Enterro do Galo de 2016, altura em que não cabia nem mais uma pessoa na sala da celebração e os foliões, exercitavam a veia cáustica sem peias, comparando o Presidente e a Vice-presidente aos personagens Shreck e Fiona, dos filmes de animação. A certa altura, por exemplo, o padre anunciava que quem mandava lá em casa era ela.

Era assim: "Mesmo antes da leitura das quadras, entremeada pelo choro da viúva e das carpideiras e das regadelas do sacristão, lá saiu um primeiro esguicho de humor para o executivo municipal. 'E por falar em discurso, há para aí certa senhora sorridente, que fala sempre em último lugar. Querem ver que afinal, é ela a presidente?"

E depois seguiam-se umas quadras a condizer:

"Sentiu-se provocado / O nosso presidente / Ao ver o comentário / Um lamentável incidente

Não gostou de tal coisa / Parece que lhe caiu mal / Logo ameaçou o autor / Que o punha em tribunal

Tenha calma caro amigo / Não fique com ar de matrafona / P’ra não ficar enfadado / Entregue isso à Fiona.".

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