Sociedade | 17-02-2018 09:13

Recomeçar do zero em Singapura

Recomeçar do zero em Singapura
TÃO LONGE E AQUI TÃO PERTO
Foto DR Joel Antunes regressa a Ourém uma vez por ano por altura do verão

Joel Antunes rumou ao sudeste asiático em Janeiro de 2016 e confessa que os primeiros tempos não foram fáceis.

Joel Antunes trabalhava como arquitecto num atelier em Lisboa. O emprego parecia seguro até começar a sentir a crise no sector da construção civil. Despediu-se em Agosto de 2015 e decidiu começar a vida do zero noutro país. Enviou currículos para todo o lado até chegar uma oportunidade em Singapura, no sudeste asiático. Fez as malas e em Janeiro de 2016 embarcou sozinho na aventura.
“Nunca pensei que tivesse a coragem de me mudar para algo tão diferente e fora da minha zona de conforto mas consegui”, diz o jovem de Ourém, revelando que os primeiros tempos não foram fáceis. Dois dias depois de aterrar, e ainda a recuperar do ‘jet lag’, Joel Antunes verificou que o seu novo trabalho não era aquilo que esperava. Despediu-se passado três dias e ficou a viver das suas poupanças até arranjar outro emprego, o que aconteceu cerca de três meses depois. Trabalha actualmente num ateliê de arquitectura britânico. “Foram momentos dolorosos sobretudo porque decidi não contar nada à minha família e aos meus amigos sobre o que se estava a passar”, confessa o jovem de 29 anos.
Saudades da comida portuguesa
A adaptação a Singapura não foi fácil. Começou logo pelas temperaturas elevadas e constantes. Algo a que o jovem teve alguma dificuldade em se habituar de início. “Não foi fácil sobretudo porque aqui as temperaturas são sempre as mesmas e a humidade no ar é elevada, tanto de dia como de noite”, explica o arquitecto.
Outra diferença está na baixa altura média dos habitantes locais. Com uma média bastante inferior à de Portugal, o metro e noventa de Joel Antunes faz com que nunca passe despercebido, sobretudo nos autocarros e nos comboios. “Tenho de me baixar para entrar e sair e no interior dos meios de transporte”, explica.
Existem ainda diferenças nos hábitos do dia-a-dia. Enquanto em Portugal trabalha-se até às sete da tarde e depois vai-se para casa cozinhar o jantar todos os dias, em Singapura sai-se do emprego pelas seis da tarde e costuma-se jantar fora em “Hawker centres” onde as refeições ficam por menos de três euros. “Aqui saio mais cedo do trabalho mas como português que sou costumo ir para casa fazer o jantar”, adianta Joel Antunes, dizendo que prefere cozinhar pratos portugueses. É isso, aliás, que o faz matar as saudades do seu país. “Como só vou uma vez por ano a Portugal comer comida portuguesa faz-me sentir em casa”, admite o jovem de Ourém que regressa a casa habitualmente no Verão.

“Por cá arrisca-se mais do que em Portugal”
Joel Antunes admite que Singapura é dos países ideais para se exercer a profissão se se gostar de grandes cidades e de ultrapassar os limites. “Por cá arrisca-se mais que em Portugal”, confessa. Além disso, adianta, graças aos muitos ateliers de arquitectura estrangeiros que têm ali a sua sede, é possível ter-se acesso ao que se faz em todo o Mundo. “Neste momento, por exemplo, estou a trabalhar num projecto de uma torre residencial de 50 pisos a ser construída na Malásia”, conta.
Olhando para o futuro, Joel Antunes admite que, para já, irá manter-se em Singapura, mas confessa que se houver outra oportunidade melhor noutro país, não hesitará. Afinal, acredita, “o importante é viver tudo ao máximo, porque o resto logo se verá”.

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