Sociedade | 15-03-2018 07:23

Projecto de requalificação do Museu Municipal de Benavente em discussão

Obra está orçada em 900.000 euros, com comparticipação comunitária,

O Museu Municipal de Benavente vai ser requalificado, estando o município a ponderar se mantém a actual fachada do palacete do século XVIII, que acolhe o museu desde 1980, ou se opta por uma imagem de “modernidade”.

Carlos Coutinho, presidente da Câmara de Benavente, no distrito de Santarém, disse que o executivo municipal auscultou a população sobre as várias propostas de intervenção, opiniões que serão tidas em conta na decisão que irá tomar, apoiada pelos técnicos do município.

Orçada em 900.000 euros, com comparticipação comunitária, a intervenção, a concluir até ao final de 2019, visa melhorar as condições “muito deficientes” em que estão expostos os cerca de 20.000 objectos, sobretudo etnográficos, deste museu que integra a Rede Nacional de Museus.

O museu “surgiu da carolice do benaventense Joaquim Parracho”, que ao longo de cerca de 40 anos “recolheu peças ligadas à identidade do município, muito ligada às ganadarias, ao touro, ao cavalo, ao campino, à actividade agrícola”, passando pelos trajes, um “espólio riquíssimo” reunido em “condições muito deficientes” num edifício habitacional que foi adaptado para este fim, disse.

Carlos Coutinho afirmou que este projecto se insere num conjunto de outros candidatados a financiamento comunitário, no âmbito da reabilitação urbana e que visa dar “modernidade” e criar “atractividade turística”.

O autarca afirmou que o município tem posto todos estes projectos à discussão da população para que as pessoas “se sintam parte das soluções” e se revejam nas intervenções que vão ser realizadas.

“Tem sido muito interessante dar voz às pessoas”, afirmou.

A reformulação do edifício visa a criação de “um espaço museológico contemporâneo, que permita dinâmicas culturais intensas e transversais aos mais diversos públicos, afirmando-se como um museu de território de referência”, refere o documento de suporte do projecto.

A intervenção projetada pretende “buscar soluções para os problemas de espaço e da falta de serviços para os visitantes”.

Doado em 1974 por António Gabriel Ferreira Lourenço, o edifício, que foi casa de habitação até à década de 1940, foi utilizado, antes da entrega ao município, como pensionato do Colégio de Benavente.

O museu tem áreas dedicadas ao traje, às alfaias agrícolas, aos ofícios tradicionais, à cerâmica e à fotografia, que “exigem, pelo seu valor e pelas suas características próprias, a criação de espaços específicos para exibição e reservas, garantindo as condições de conservação e segurança adequadas para os objetos”, afirma o documento.

As colecções de alfaias agrícolas e de traje “dão expressão física às diversas actividades desenvolvidas na região desde o final do século XIX até à contemporaneidade”, sendo a colecção de fotografia constituída por centenas de registos, que ajudam na “compreensão da vivência tradicional, promovendo a articulação e o entendimento entre aspectos relativos à cultura material e aos comportamentos”, acrescenta.

O Núcleo Museológico Agrícola, inaugurado em Março de 2000, sem necessidade de intervenção, encontra-se instalado no antigo edifício do Matadouro Municipal de Benavente, com uma exposição permanente sobre o “calendário agrícola tradicional” e reunindo as peças de maior dimensão, disse.


O município projecta ainda a criação, com a Companhia das Lezírias, "maior unidade agrícola do país e com um impacto bastante forte no concelho", de um museu em Samora Correia, "também ligado às tradições, às raízes, à ruralidade", adiantou.

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