Sociedade | 16-03-2018 20:40

“Houve uma evolução e já se olha de outra maneira para a deficiência”

“Houve uma evolução e já se olha de outra maneira para a deficiência”
TRÊS DIMENSÕES

Paula Alexandra Pinto é a directora técnica do CRIB - Benavente

O Centro de Recuperação Infantil de Benavente - CRIB tem 24 utentes em lar e 56 no seu Centro de Actividades Ocupacionais (CAO). Mesmo se a instituição fosse três vezes maior não conseguiria dar resposta a toda a procura, explica Paula Pinto que diz ver em cada colega e em cada utente da instituição um elemento da sua própria família. A directora técnica da Instituição sente que as mentalidades estão a mudar e que a deficiência é encarada de uma forma mais humana.

Vivo em Marinhais e trabalho em Benavente e gosto que seja assim. Não me chateia nada fazer esse trajecto diário até ao trabalho. Por vezes faço-o várias vezes por dia. O meu trabalho é fazer a avaliação dos utentes em lista de espera para a sua entrada na valência. Também tenho que fazer todos os contactos com as entidades oficiais, organizar as actividades dos utentes e acompanhar os projectos que vão surgindo.

Durante muitos anos o centro funcionou sem base legal mas essa fase está ultrapassada. Crescemos e adaptámo-nos. Entretanto passámos para novas instalações já com um grupo organizado de utentes. Fui convidada pelo anterior presidente desta direcção, António Fernandes, para fazer parte da equipa para constituir o Centro de Actividades Ocupacionais.

Esta instituição já funciona há muitos anos e alguns funcionários e os utentes já cá estão há mais de 30 anos. O CRIB acaba por ser a nossa segunda casa e os utentes fazem parte da nossa família. Houve um aumento grande do número de utentes nos últimos anos. O lar tem 24 camas e está cheio e com lista de espera. No CAO temos 56 utentes.

Houve uma evolução grande na sociedade e já se olha de outra maneira para a deficiência. Já não há tanto estigma em torno desta matéria. As mentalidades mudaram porque vamos tendo também parcerias com escolas e sociedade civil. Isso é motivador para as pessoas perceberem que os nossos utentes não são tão diferentes como isso. E essa ideia vai passando de filhos para pais.

Felicidade para mim é ter a certeza que os nossos utentes estão bem, felizes e com uma vida produtiva. Esta é uma ocupação a tempo inteiro. Quando precisamos de colocar um funcionário fazemos algumas entrevistas até encontrar o perfil adequado. Mas 90 por cento das pessoas a primeira coisa que dizem é que não conseguem e não estão habituadas. Ao início a barreira do desconhecido é forte mas depois raras são as pessoas que tenham entrado e saído por não se terem adaptado. Os nossos utentes são amorosos.

Se o CRIB fosse três vezes maior continuaria a haver procura. Há pessoas que estão há anos dentro de casa por falta de alternativas. Mas infelizmente não temos espaço para mais. Enquanto pessoa, para mim, ouvir e dizer a verdade é um valor importantíssimo. Com a verdade conseguimos gerir as coisas da melhor forma.

Nos tempos livres gosto de andar de mota com o meu marido. Viajamos muito. Ser pai ocupa-nos muito tempo. Mas, sozinhos ou em família, adoramos viajar para fora do país e todos os anos vamos. Conhecemos Marrocos de uma ponta à outra, já lá fomos nove vezes de mota. É o que nos dá mais prazer.

Adoro cinema. Só que ultimamente temos tido poucas oportunidades de ir ver uns filmes. Estou já feita aos desenhos animados (risos).

O que me tira do sério é a arrogância das pessoas. As que têm muitas teorias e pouca prática mas que acham que são os donos da razão.

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