Sociedade | 18-03-2018 11:20

“Não queremos medir forças com os homens, queremos a igualdade de direitos”

“Não queremos medir forças com os homens, queremos a igualdade de direitos”
Foto O MIRANTE

“Ser Mulher” foi tema de reflexão em Torres Novas, com o reconhecimento de que muita coisa mudou nas últimas décadas mas não está tudo feito pela igualdade de género.

“Ser Mulher” foi o tema escolhido por Manuela Tolda, Maria Isilda Cunha, Graça Prezado e a jovem atleta Nádia Carvalho para reflectirem com alunos do primeiro ano do curso de Turismo da Escola Profissional de Torres Novas no Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de Março.


A chefe da PSP aposentada Graça Prezado lembrou o início dos anos 80, quando houve o grande “boom” de entrada de mulheres nas forças de segurança. “As mulheres nos edifícios de polícia eram só as da limpeza”, mas gradualmente percebeu-se que era necessário haver mulheres nas equipas, tendo em conta o crescimento da criminalidade feminina.


Graça Prezado reconheceu que teve momentos em que sentiu que os homens a despiam com os olhos e que a entrada das mulheres na polícia não se fez sem comentários machistas. Hoje, apesar de ainda existirem distinções, as coisas mudaram. “Nós fizemos a diferença”, disse. “Não queremos estar a medir forças com os homens, queremos a igualdade de direitos”, destacou.


A sessão organizada pelo gabinete do presidente da Câmara de Torres Novas decorreu na Loja Ponto Já e foi uma oportunidade para estas quatro mulheres partilharem as suas experiências de vida e alertarem para problemas que continuam a afectar as mulheres e também os homens, como a violência no namoro, a violência física, psicológica e emocional e em alguns países a mutilação genital feminina.


“Era impossível uma mulher entrar na política”
O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira abriu a sessão e recordou a história da sua mãe, funcionária dos Correios. “Não era normal naquele tempo uma mulher ter outra ocupação que não o serviço doméstico, tomar conta dos filhos e garantir as refeições do marido sempre a horas”, disse. “Era impossível uma mulher entrar na política e até precisavam de uma autorização para sair do país”, referiu.


Manuela Tolda, professora aposentada e ex-vereadora da Câmara de Torres Novas, falou de alguns projectos em que se envolveu ao longo da sua carreira e lembrou o seu empenho na construção da Escola Profissional de Torres Novas, em colaboração com a NERSANT. E deixou vários conselhos à turma de estudantes. “Nunca se fazem coisas sozinho” e “conhecer permite-nos escolher o nosso caminho”, defendeu. Actualmente Manuela Tolda criou na sua terra natal, Almeida, uma associação de desenvolvimento local.


Maria Isilda Cunha, professora cooperante, recordou a sua experiência na Guiné-Bissau, nos anos 70, e de como uma tradição local, a Festa do Fanado, lhe despertava curiosidade. O que é que acontecia aos rapazes e raparigas adolescentes que eram mandados para a mata e os fazia faltar à escola?, questionava-se. Só há relativamente poucos anos descobriu que se tratava de uma prática que incluía, entre outras tradições, a mutilação genital feminina. Na época nunca conseguiu saber o que acontecia na mata, recordou, tendo sido aconselhada a não se envolver no assunto.


Nádia Carvalho, a jovem atleta de 16 anos que resgatou do rio Almonda uma idosa há alguns meses, realçou o exemplo de Rosa Mota, que venceu na maratona, uma prova que era tradicionalmente masculina. “Para nós nada é impossível”, afirmou. “Não temos que ser nem feministas, nem machistas, somos todos seres humanos”. “Somos todos seres. Ninguém é igual a ninguém, o que importa é unirmo-nos e lutarmos pelas coisas que queremos” destacou.

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