Sociedade | 18-03-2018 13:30

No mercado da Golegã as bancas foram substituídas por lojas

No mercado da Golegã as bancas foram substituídas por lojas
FEIRAS E MERCADOS
Foto O MIRANTE

Obras de remodelação e modernização do espaço deram-lhe nova configuração. Já não se ouvem pregões nem se sente no ar o cheiro a peixe fresco.

Ao entrarmos no Mercado Municipal da Golegã quase somos levados a crer que o edifício se encontra abandonado. Ali já não se ouvem os pregões das vendedoras, já não se sente o cheiro do peixe, já não se vislumbram as bancas coloridas com frutas e legumes. Naquele mercado já nada é como antigamente. Hoje apenas sobrevivem as lojas criadas e a memória do que aquele lugar foi está escrita na pedra que se encontra à entrada do edifício.


Maria Teresa Vieira, 65 anos, é dona de uma loja de flores localizada onde era antigamente o talho do mercado. É dona desse negócio há 13 anos e relembra com saudade o aspecto daquele local antes das obras de remodelação. “Deixou de fazer sentido haver cá bancas,pois começaram a ser mais os vendedores do que os compradores”, diz, referindo que aos poucos as pessoas começaram a preferir as grandes superfícies comerciais.


Maria Teresa nasceu em Fátima e vem de uma família humilde. O seu pai era pastor e a sua mãe costumava ficar em casa a tratar dos afazeres domésticos. Quando os seus pais foram viver para a Golegã, Maria Teresa foi trabalhar numa fábrica de café e amendoins. Tinha apenas 9 anos e ali trabalhou até completar 17 anos. Foi com essa idade que foi para o Entroncamento trabalhar numa fábrica de vinagre e dois anos depois casou-se e começou a trabalhar no campo.


Aos 33 anos enviuvou e ficou a cuidar sozinha do seu filho de cinco anos. Desesperada, bateu de porta em porta à procura de emprego, até que o dono de uma sapataria, na Golegã, lhe ofereceu trabalho. E foi com esse homem, catorze anos mais velho, que Maria Teresa encontrou o seu porto de abrigo. “Ele tem um coração do tamanho do mundo e foi isso que me fez apaixonar por ele”, admite. Trinta e dois anos depois, a florista continua casada com José Francisco Vieira, agora com 79 anos, que continua a ser o homem da sua vida.


O casal chegou a ter uma sapataria aberta na Golegã e outra em Santarém mas também esse negócio acabou por deixar de ser rentável. Por isso preferiu fechar a sapataria e dedicar-se a algo que gostava, as flores.

Orgulha-se de trabalhar todos os dias sem folgas. Mas a vida tinha reservado mais um desafio a Maria Teresa. Em Outubro do ano passado foi-lhe diagnosticado um cancro da mama e apesar de a doença ter sido descoberta logo no seu início, progrediu muito rapidamente e no final do mês passado foi submetida a uma cirurgia para remover o peito.


A florista admite que quando saiu do hospital não foi capaz de ficar em casa mais do que um dia e regressou rapidamente para junto das suas flores. Maria Teresa conta, com os olhos cheios de lágrimas, que na altura em que foi diagnosticada a sua doença estava a viver um dos momentos mais difíceis da sua vida pois o seu marido também se debate com uma doença semelhante há 26 anos, um cancro de pele. Mas Maria Teresa não perde a esperança em dias melhores.

Sofia Rocha é agora esteticista depois de uma experiência na vida militar

De militar a esteticista
Sofia Rocha, de 30 anos, tem um espaço dedicado à estética que é um dos negócios mais recentes do Mercado Municipal da Golegã com dois anos de existência. Sofia é natural de Castelo Branco e foi quando completou 18 anos que tomou a decisão de ir para Tancos para seguir uma carreira militar. Ali acabou por conhecer o seu marido, do qual tem dois filhos, com 7 e 9 anos.


Foi em 2012, depois de dedicar seis anos à carreira militar, que tomou a decisão de abandonar essa vida. “O meu segundo filho esteve para nascer prematuro devido ao esforço que fiz na tropa”, conta. Garante que não se arrepende da escolha e olhando para trás afirma que aquela vida nada tinha a ver com ela. “Eu era nova, não tinha nada para fazer e fui para a tropa”, justifica.


O seu marido acabou por ficar colocado na base militar de Santa Margarida e por essa razão o casal optou por se mudar definitivamente para o Entroncamento. O interesse pela estética começou através de uma amiga, que lhe foi ensinando um pouco dessa arte e por isso frequentou alguns cursos. Esta ocupação permite-lhe dedicar-se mais aos filhos uma vez que tem horários mais flexíveis, compensando assim o facto de o seu marido ter um horário bastante mais rígido. “E como eu não tenho aqui ninguém de família só posso contar comigo”, diz.


Preferiu abrir o seu negócio na Golegã depois de fazer um estudo de mercado. “Percebi que o que tinha para oferecer não havia aqui”. Além disso o valor da renda ali é muito inferior ao que teria de pagar por um espaço semelhante no Entroncamento. Acrescenta que o seu negócio tem sido rentável porque as suas clientes são sobretudo suas amigas. Afirma que as suas clientes vêm de vários locais como a Chamusca, Entroncamento e Torres Novas porque preferem os seus serviços.

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