Sociedade | 22-03-2018 12:02

Na Póvoa de Santarém o jurista do Benfica é estimado por todos

Na Póvoa de Santarém o jurista do Benfica é estimado por todos
Foto DR

Paulo Gonçalves, que está na agenda mediática por ser suspeito de corrupção, escolheu essa aldeia do concelho de Santarém para viver e está bem integrado na comunidade. Antigo presidente da junta diz que é “gente cinco estrelas” e já recebeu convites para ir ver jogos ao Estádio da Luz.

Na Póvoa de Santarém Paulo Gonçalves é um homem estimado por todos os que o conhecem. O assessor jurídico da SAD (Sociedade Anónima Desportiva) do Benfica, que foi detido há duas semanas na vivenda que tem naquela localidade do concelho de Santarém, não é homem de andar pelos cafés da vila. Apenas vai comprar jornais e carne à mercearia propriedade do antigo presidente da União de Freguesias de Achete, Póvoa de Santarém e Azóia de Baixo, António João Henriques, que conhece bem o jurista e por quem tem “grande estima”.


“Conheço bem o doutor Paulo Gonçalves e a família que é muito respeitada aqui na terra. É gente cinco estrelas. São simpáticos e não têm arrogância nenhuma. O doutor costuma vir aqui comprar os jornais e também leva carne aqui do talho”, diz o antigo autarca e empresário.
António João Henriques era o presidente da junta quando Paulo Gonçalves ali fez casa há cerca de cinco anos. “Fomos nós que abrimos a estrada naquela zona que é conhecida por Casal Barreto, a caminho da Azóia. Ali mora muita gente rica. Empresários, médicos e gente com altos cargos no Estado”, conta.


A família Gonçalves é natural do Porto. O casal tem dois filhos e a esposa do braço direito de Luís Filipe Vieira já foi secretária pessoal de Marco António Costa, quando este foi secretário de Estado da Segurança Social no Governo de Passos Coelho. “A senhora está ligada à Segurança Social e até deu uma ajuda quando quisemos fazer o lar aqui na localidade”, conta o ex-autarca que não acredita que Paulo Gonçalves seja corrupto.


“Na última jornada do campeonato fui ver o meu Benfica a ganhar ao Desportivo das Aves e sabe quem me ofereceu os bilhetes? Foi o doutor Paulo Gonçalves, que já me disse inclusive que sempre que eu quiser ir ao Estádio da Luz é só pedir-lhe. E não me pediu nada em troca”, esclarece o empresário que questiona o jornalista: “Você nunca teve bilhetes convite para ir assistir a alguma coisa? Não acredito em nada disso da corrupção”, afirma.


Paulo Gonçalves está neste momento a construir um nova casa ao lado daquela onde habita. Os habitantes contam que o braço-direito de Vieira é bastante religioso e “quando está em Santarém vai todos os domingos à missa”. Paulo Gonçalves também construiu uma capela na sua propriedade.


O jurista foi detido pela Polícia Judiciária na manhã de 6 de Março na sua casa, na Póvoa de Santarém, e levado para o Estádio da Luz para acompanhar as buscas ao seu gabinete, no âmbito da operação e-toupeira. O braço direito de Luís Filipe Vieira é suspeito de “corrupção activa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal”, segundo informação da Polícia Judiciária.


O assessor está indiciado de ter subornado funcionários judiciais para obter informações do caso dos e-mails, em que está em causa corrupção desportiva envolvendo árbitros e que está em investigação pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.

Ex-autarca, António João Henriques

Filho de Paulo Gonçalves sofreu grave acidente no ano passado

Quando o filho mais novo do jurista do Benfica sofreu um grave acidente na Estrada Nacional 3, na Póvoa de Santarém, em Maio do ano passado, foi António João Henriques quem telefonou a Paulo Gonçalves a dar-lhe a trágica notícia. O acidente ocorreu cerca das 19h00 no dia 5 de Maio, quando o menor, que vinha a descer numa bicicleta de montanha foi atropelado por um carro que seguia no sentido Torres Novas–Santarém.
“Os pais do menino de 13 anos não o deixavam andar de bicicleta na estrada nacional mas o miúdo apanhou-se sozinho e foi encher um pneu e teve que passar pela nacional. O que vale é que era um idoso que vinha a conduzir o carro e vinha devagar. Se viesse mais depressa matava o miúdo”, conta António João Henriques.

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