Sociedade | 24-03-2018 08:19

Um autarca que gosta de arregaçar as mangas

Um autarca que gosta de arregaçar as mangas
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Albertino Lopes está a cumprir o terceiro mandato como presidente da junta de São Sebastião

O presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião é o autarca há mais tempo em funções no concelho de Rio Maior.

Albertino Lopes, 77 anos, é presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião (Rio Maior) e é o autarca mais veterano do concelho de Rio Maior, estando a cumprir o terceiro mandato como presidente, depois de um mandato na oposição. Conhecido pela sua dedicação e pela paixão que tem à sua terra adoptiva, de onde a esposa é natural, o reformado admite que é tudo menos agarrado ao sofá. É por isso que, quando é preciso, ainda dá o exemplo e põe mãos à obra.
Nascido e criado em São Jorge da Beira, junto às Minas da Panasqueira, Covilhã, Albertino Lopes desde cedo foi obrigado a agarrar-se à enxada e ajudar os pais que trabalhavam no campo. “Era uma altura muito difícil e, como era o filho mais velho, tinha também de ajudar”, confessa o autarca de 78 anos, dizendo que o que mais lhe custava era deixar de ir às aulas. “Gostava tanto da escola que nunca contava à minha professora que ia faltar, eram depois os meus colegas que lhe diziam”, admite.
Deixou a escola com 11 anos e continuou a fazer trabalho agrícola até que, já com 16 anos, um tio lhe ofereceu trabalho na sua empresa em Lisboa. “Era a minha oportunidade de ir para a grande cidade e ganhar outros horizontes”, adianta. Trabalhou ainda alguns anos a servir cafés no estabelecimento do seu familiar até que um outro tio arranjou-lhe um lugar como distribuidor de material na empresa onde trabalhava. “Foi quando conheci Lisboa de lés-a-lés”. Ainda trabalhou nessa empresa alguns meses até, aos 21 anos, ir cumprir durante três anos o serviço militar na Guiné. “Passei ali as melhores idades da minha mocidade”, desabafa.
Entretanto, regressou e ainda trabalhou durante 12 anos como motorista particular da viúva do Visconde de Salreu, um dos sócios das Caves de Colares (Sintra), mas quis o destino que se empregasse nos serviços centrais no antigo Banco Fonsecas & Burnay (actual BPI), onde trabalhou até se reformar e ir residir definitivamente para São Sebastião. “Queria tanto vir para cá viver que ainda cheguei a pedir para me colocarem na agência de Alcanede, mas depois acabei por não aceitar por razões familiares”, adianta.
Foi nessa altura que conheceu a mulher com quem viria a casar. “Conheci-a numa festa de Carnaval em que nem ela nem eu estávamos mascarados. Depois, começámos a namorar até que decidimos casar”, conta Albertino Lopes, dizendo que a culpa da paixão que tem em viver em São Sebastião é dela. “A minha esposa era de cá e foi ela que me trouxe cá passados oito dias de estarmos casados. A partir daí apaixonei-me por esta terra”, admite o reformado. E foi por esse gosto que entrou na política e candidatou-se à junta de freguesia. “Quem me convidou foi o ex-árbitro e delegado distrital de Santarém do INATEL, António Rola, que é natural das Fráguas (Rio Maior)”, conta.
Histórias é o que não falta ao presidente da Junta de Freguesia de São Sebatião que trabalhou mais de 25 anos na área do enconomato nos serviços centrais do banco BPI, em Lisboa. Um dia, conta, estava a trabalhar durante a hora de almoço e o chefe da sala de almoços da administração ligou muito aflito a dizer que o frigorífico estava avariado e não sabia o que fazer pois estava cheio de comida. “Liguei, então, para a loja que nos vendeu o electrodoméstico e perguntei a um dos patrões se tinha um igual do mesmo modelo e se mantinha o preço. O senhor disse que sim e eu mandei logo que viessem entregar um na sala de almoços para que a comida não se estragasse. Depois, a administração acabou por me elogiar”.
Albertino Lopes admite que a freguesia de São Sebastião, ao contrário de outras, apresenta um problema, pois tem uma área geográfica muito grande para a população que tem. E como a câmara só contempla o número de habitantes ao elaborar o orçamento, o desta freguesia é sempre muito pequeno para as despesas que tem. “Depois, não temos condições financeiras, por exemplo, para contratar cantoneiros para limpar as valetas”, adianta, acreditando que a situação piorou a partir do momento que foi homologada a nova reorganização administrativa do território das freguesias.

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