Sociedade | 27-03-2018 10:44

Verdes lamentam demora na solução para efluentes suinícolas que poluem rio Maior

Levantamento identificou 34.000 efectivos em 209 explorações existentes ao longo do rio.

Os Verdes lamentaram esta segunda-feira em Santarém, que tardem soluções para os efluentes suinícolas que poluem a bacia do rio Maior, afluente do Tejo, apesar do levantamento que identificou 34.000 efectivos em 209 explorações existentes ao longo do rio.

Falando no final da primeira etapa das jornadas parlamentares do partido ecologista Os Verdes (PEV) dedicadas ao tema “Rio Tejo – Poluição e outros conflitos”, que decorreu ao longo da manhã no concelho de Santarém, o dirigente nacional Francisco Madeira Lopes apontou o impacto do rio Maior, “núcleo de concentração muito grande de produção suinícola” e também, em menor escala, avícola e bovina, “à semelhança do rio Lis, em Leiria”, no rio Tejo, onde desagua no concelho da Azambuja.

Francisco Madeira Lopes afirmou que a comissão criada em 2014 pelos municípios de Rio Maior, Santarém, Cartaxo e Azambuja, na sequência de uma proposta que apresentou quando era vereador na Câmara de Santarém, “tem avançado com muita lentidão”, o que é agravado com a ausência de desenvolvimento da revisão da Estratégia Nacional Para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais (ENEAPAI), para a qual foi criado, pelo Governo, um grupo de trabalho em fevereiro de 2017.

Madeira Lopes afirmou que o levantamento feito pelos municípios, que identificou quase 34.000 efectivos suínos em 209 produções, todas de carácter intensivo, verificou que o tratamento dos efluentes, quando existe, é feito por lagunagem, uma prática de “há 30 ou 40 anos” que “toda a gente sabe que não é tratamento nenhum”.

“Outras soluções, como o tratamento em ETES (Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas), com produção de biogás e tratamento do resíduo semisseco para a agricultura”, em “condições controladas e com análises prévias”, não “têm vindo para o terreno”, nem pelos produtores, nem pela administração central, nem pela local, disse, frisando que o método actualmente utilizado, de lagunagem, “não faz o tratamento necessário para inertizar” o resíduo.

A inclusão desta temática nas jornadas decorre do entendimento de que a bacia do Tejo é “todo um ecossistema” de uma região “cujo desenvolvimento tem sido feito à custa da sustentabilidade ambiental”, adiantou.

A delegação do PEV - que integra, além dos deputados Heloísa Apolónia e José Luís Ferreira e dirigentes nacionais do partido, Ska Keller, copresidente do Grupo Verde no Parlamento Europeu, Monica Frassoni, copresidente do Partido Verde Europeu, e Gwendoline Delbos-Corfield, membro do Comité Executivo do Partido Verde Europeu (também dos Verdes franceses) - passou ainda de manhã pelas Portas do Sol, em Santarém, ponto de observação do rio Tejo.

Heloísa Apolónia disse que daí foi possível observar o Tejo entre as duas pontes (D. Luís e Salgueiro Maia) e a influência dos espaços instalados para extracção de areias sobre o rio e a estabilidade das estruturas.

“É uma matéria a que Os Verdes têm dado grande relevância. Batalhámos muito para um distanciamento das extrações relativamente à ponte D. Luís”, disse a deputada, salientando que o partido vai continuar a acompanhar a situação e a defesa de que a extracção de inertes não pode ser feita “ao sabor de necessidades economicistas”, mas tendo em conta também o que é o ecossistema do rio e a segurança das estruturas.

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