Sociedade | 03-04-2018 18:57

Enfermeiros em Abrantes pedem transferência em bloco dos serviços de urgência

Enfermeiros em Abrantes pedem transferência em bloco dos serviços de urgência
Foto O MIRANTE

Sindicato dá conta que foram 53 os enfermeiros e 29 os assistentes operacionais que entregaram o seu pedido de transferência.

Exaustão, falta de condições de trabalho e escassez de recursos humanos levaram esta terça-feira, 3 de Abril, dezenas de enfermeiros e assistentes operacionais da Urgência do Hospital de Abrantes, do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), a solicitarem a mobilidade de serviço.

João Damásio, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), disse que os enfermeiros "são em número insuficiente" no Serviço de Urgência de Abrantes, um "problema que se arrasta há cinco anos e com os profissionais exaustos, tendo feito já cerca de mil horas extraordinárias nas urgências hospitalares, só nestes primeiros meses do ano, situação insustentável para os profissionais e para a segurança dos próprios doentes".

"O que pedimos é mais enfermeiros, rácios adequados entre enfermeiros e doentes, e melhores condições de trabalho e de segurança, sendo o espaço existente exíguo para tantos doentes que têm até de estar nos corredores", afirmou João Damásio, enfermeiro nas urgências daquela unidade hospitalar, tendo feito notar que "a apresentação dos pedidos em bloco de mobilidade de serviço visam pressionar a tutela e o Conselho de Administração (CA) do CHMT para resolverem a situação".

Em comunicado, o SEP dá conta que "foram 53 os enfermeiros e 29 os assistentes operacionais que entregaram o seu pedido de transferência" do serviço de Urgência do Hospital de Abrantes, "perante a crescente afluência de utentes à Urgência e o reduzido número de profissionais que garantam os cuidados necessários", e "confrontada com o agravamento da sua carga física e psicológica, conduzindo à exaustão" dos profissionais.

Os enfermeiros, que reuniram ao final da manhã com a direcção de enfermagem do CHMT, reclamam ainda dos ministérios da Saúde e das Finanças "a devida autorização" para contratar profissionais.

O Conselho de Administração do CHMT, por sua vez, em comunicado, refere que "foram ouvidos os senhores enfermeiros e anotados os constrangimentos apresentados por estes profissionais", tendo salientado, no entanto, que este Serviço de Urgências "tem as dotações seguras e de acordo com a legislação" em vigor.

"O Serviço de Urgências Médico Cirúrgicas tem 77 enfermeiros e 40 assistentes operacionais", observa, tendo afirmado que "durante o mês de março de 2018 foram realizados uma média de 142 atendimentos, por dia, o que perfaz uma diminuição de atendimentos face a março de 2017".

O CA do CHMT confirma a "realização de cerca de 1000 horas extraordinárias, apontadas pelos enfermeiros e assistentes operacionais, numa média inferior às 12 horas por profissional", tendo notado, no entanto, que "a existência destas horas extraordinárias se deve, essencialmente, ao absentismo no Serviço que é muito elevado".

"Actualmente, o Serviço de Urgência apresenta uma percentagem de 14,5 de absentismo", sublinhou.

Segundo se pode ler no documento, da reunião "saíram compromissos que envolvem ambas as partes, a Direcção de Enfermagem e os enfermeiros e assistentes operacionais do Serviço de Urgência Médico-cirúrgica", tendo destacado que, "a curto e médio prazo, serão estabelecidas estratégias conjuntas que minimizem os constrangimentos, sobretudo nos picos de fluxo de utentes às urgências, com a garantia de que será sempre salvaguardada a prestação dos cuidados de saúde às populações" do Centro Hospitalar do Médio Tejo.

Sobre o espaço físico no Serviço de Urgências, a administração do CHMT lembra que "está em curso o processo de requalificação das instalações do Serviço de Urgências, o que permitirá melhores condições físicas para a realização do trabalho (...) requalificação do espaço físico que irá ser acompanhada com a adequação dos recursos humanos adaptados a esta nova realidade".

A Direcção de Enfermagem do Centro Hospitalar do Médio Tejo afirma, ainda, que "estão pedidos os recursos necessários e que as contratações de mais enfermeiros e assistentes operacionais estão a decorrer dentro do que são os tramites normais destes processos", sublinhando que "irá analisar cada caso dos pedidos de mobilidade".

Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população de cerca de 260 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, no distrito de Santarém, Vila de Rei, de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.

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