Sociedade | 13-05-2018 12:28

O empresário que escreve livros e atira garrafas ao mar para se inspirar

O empresário que escreve livros e atira garrafas ao mar para se inspirar
O próximo livro de Rui Marcelino vai contar a aventura da garrafa que lançou ao mar e chegou às Bahamas

Um dos episódios vai servir de inspiração ao próximo livro de Rui Marcelino

Rui Marcelino lançou duas garrafas ao Oceano Atlântico em Junho de 2016. Uma junto ao Cabo de São Vicente, no Algarve, e a outra no Cabo Carvoeiro, em Peniche. A primeira percorreu 6460 quilómetros e 380 dias depois foi encontrada por uma norte-americana que passa férias há vários anos nas Bahamas. Jean Logan contactou o empresário da Vila da Marmeleira e já há uma viagem prometida às Bahamas.

Rui Marcelino, empresário natural de Marmeleira, concelho de Rio Maior, lançou duas garrafas ao Oceano Atlântico em Junho de 2016. A primeira no Cabo de São Vicente, em Sagres, no Algarve, no dia 29 de Junho. A segunda foi lançada ao mar no dia seguinte no Cabo Carvoeiro, em Peniche. Ambas as garrafas continham uma mensagem, escrita em português, inglês e espanhol, onde o autor da ideia dizia que pretendia conhecer o percurso efectuado pela garrafa. O objectivo era obter orientação e imaginação para o seu próximo livro, o terceiro volume da trilogia “Trilhos de uma vida”, cuja cópia da capa do segundo livro também estava dentro da garrafa. No seu interior estava ainda a cópia de uma carta que Marcelino recebeu do Vaticano a “abençoar” a viagem da garrafa.
Em Agosto do ano passado, Rui Marcelino estava de férias quando recebeu um email de Jean Logan, uma norte-americana da Califórnia, que passa férias há vários anos nas Bahamas [Caraíbas], a informar que tinha encontrado a garrafa lançada um ano antes no Algarve. “A garrafa deu à costa numa ilhota muito pequena das Bahamas chamada Green Turtle Cay. Esta senhora contactou-me e disse que tinha ficado muito entusiasmada por ter encontrado a garrafa e perguntou-me o que deveria fazer com ela. Disse-lhe para tirar tudo o que estava dentro da garrafa, para tirar uma foto no local onde ela foi encontrada e enviar-me”, recorda.
Rui Marcelino não esconde a emoção e o entusiasmo por uma das garrafas ter sido encontrada. A garrafa demorou 380 dias a percorrer 6460 quilómetros tendo atravessado todo o Atlântico até ter dado à costa. A aventura desencadeada pelo empresário teve repercussão do outro lado do oceano e foi publicada uma notícia num jornal local das Bahamas. Desde então, Rui tem conversado com Jean Logan e com a jornalista que publicou a notícia do aparecimento de uma garrafa com uma mensagem de Portugal.
“Está combinado ir às Bahamas e até tenho estadia paga no hotel de uma senhora que me contactou depois de ter lido a história no jornal local. Os seus avós são portugueses e ela sempre quis conhecer o nosso país. Depois de ter lido a história contactou-me e já veio a Portugal com o marido e conhecemo-nos. Agora ficou combinado eu ir lá e ficar no hotel dela. Não sei se conseguirei ir este ano mas se não der irei no próximo ano. Quero lá ir com tempo para poder escrever e colocar a viagem às Bahamas no meu próximo livro”, afirma.
Rui afirma que com esta experiência ganhou um enorme entusiasmo pela história do seu próximo livro. Ganhei novos personagens que vou introduzir no enredo”, diz.

Apaixonado pela escrita desde a juventude

Rui Marcelino tem 58 anos e nasceu na Vila da Marmeleira, onde ainda hoje tem casa. Aos 20 anos foi para Lisboa cumprir o serviço militar e por lá ficou a viver. No entanto, em 1991, tornou-se sócio-gerente da Beltrão Coelho, em Santarém, apesar de continuar a viver em Lisboa. Diz que por ano faz cerca de 70 mil quilómetros entre Lisboa, Santarém e Marmeleira. A sua paixão pela escrita vem desde a juventude. Aliás, sempre foi um apaixonado pelas artes. Aos 14 anos começou a tocar viola e clarinete na banda da Marmeleira, onde esteve dez anos. Depois tirou a ideia da música.
Foi por causa de um acidente de tractor que se deixou envolver pela leitura e pela escrita. Com 15 anos estava no reboque de um tractor quando num acidente caiu e a roda do reboque passou-lhe de raspão na cara. Esteve internado cerca de dois meses no hospital e cerca de um ano em casa a recuperar. Perdeu um ano de escolaridade mas ganhou o gosto pela leitura. Leu todos os livros clássicos portugueses desde Eça de Queiroz a Camilo Castelo Branco.
No entanto, só aos 20 anos é que se aventurou na escrita. Uma história autobiográfica que nunca chegou a publicar. “Um dia marquei uma reunião com o António Mega Ferreira, que na altura era director do Jornal de Letras, e ele aceitou ler a minha história. Escreveu-me depois uma carta onde enaltecia o facto de eu escrever e incentivava-me a continuar mas que o tema não era aliciante para os leitores. Agradeci a gentileza e pus o livro na gaveta. Até hoje”, recorda.
Entretanto, começou a trabalhar, casou, teve duas filhas e o tempo para escrever desapareceu. “A frustração por não escrever era muita”, conta. Aos 40 anos, com maior disponibilidade, começou a escrever. Além dos seis livros publicados, prepara-se para lançar um livro infantil, tendo-se inspirado nas netas, de oito e seis anos, para avançar com este novo desafio.
Confessa que se realiza a escrever e que num mundo ideal seria apenas escritor. “Mas tenho que trabalhar para alimentar este vício que tanto prazer me dá”, confessa entre risos. A sua agenda é muito bem planeada. Durante a manhã dedica-se aos negócios. À tarde gosta de ir à sua casa na Marmeleira para escrever, onde fica entre três a quatro horas. Depois regressa à empresa antes de voltar a casa, em Lisboa. Só escreve durante a semana. Os fins-de-semana são dedicados à família. Quando se reformar pretende dedicar-se em exclusivo à escrita.

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