Sociedade | 30-05-2018 19:16

Câmara de Torres Novas vai gerir Casa-Memorial Humberto Delgado

Câmara de Torres Novas vai gerir Casa-Memorial Humberto Delgado
Foto O MIRANTE - Presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (ao centro) diz que município vai avançar com as obras de recuperação do imóvel.jpg

Município pretende avançar com as obras de recuperação do imóvel, que está encerrado ao público.

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), garantiu no dia 26 de Maio, na abertura de uma mostra bibliográfica sobre Humberto Delgado que assinala os 60 anos das eleições presidenciais de 1958, que o município vai assumir a gestão da Casa Memorial Humberto Delgado, no Boquilobo, para avançar com as obras de recuperação do imóvel, que está encerrado ao público.


O autarca adiantou que reuniu com a direcção do Museu Agrícola de Riachos, que tem actualmente a gestão do espaço, e chegaram a um entendimento para que a câmara passe a gerir o espaço. “Vamos promover visitas pedagógicas e tornar o espaço digno para transmitir os ideais de democracia e liberdade defendidos por Humberto Delgado, um filho da terra que muito nos orgulha”, destacou Pedro Ferreira.


Manuel Júnior, presidente da União de Freguesias de Brogueira, Alcorochel e Parceiros de Igreja, disse a O MIRANTE que a junta, proprietária do imóvel, vai fornecer os materiais, e a câmara disponibiliza a mão-de-obra para avançar com as obras, para que “a memória do grande general possa ser preservada com dignidade e os seus ideais transmitidos às gerações futuras”.


O neto e biógrafo de Humberto Delgado, Frederico Delgado Rosa, falou do avô com emoção, e disse sentir um imenso orgulho por ser neto de uma figura que lançou os alicerces para o 25 de Abril de 1974. Destacou que as eleições presidenciais de 1958 foram um marco decisivo na política nacional, pelo apoio massivo da população, e demonstraram a enorme coragem de Humberto Delgado em ir às urnas, apesar do controlo do regime de Salazar. No dia 9 de Junho de 1958 Humberto Delgado impugnou as eleições, onde obteve apenas 23% dos votos. “Fui roubado”, disse o general na altura.


A 13 de Fevereiro de 1965, Humberto Delgado foi vítima de uma emboscada da PIDE (polícia política de Salazar) e espancado até à morte em Los Almerines, junto à ribeira de Olivença, em Espanha. Os seus assassinos, cujo bode expiatório foi Casimiro Monteiro, nunca foram condenados.


Até 13 de Julho, a Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, tem patente a mostra bibliográfica sobre Humberto Delgado, iniciativa que assinala os 60 anos das eleições presidenciais de 1958. Toda a mostra documental assenta na colecção particular de João Bracons, que é também autor dos textos.

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