Sociedade | 10-06-2018 12:54

Caneta de Oiro da Liberdade para a jornalista Maria Ressa

Caneta de Oiro da Liberdade para a jornalista Maria Ressa
David Callaway, presidente do World Editors Forum - Maria Ressa ganhou a Caneta de Oiro da Liberdade 2018

David Callaway, presidente do World Editors Forum, apresentou a jornalista e directora executiva da empresa Rappler , das Filipinas, Maria Ressa, que ganhou o prêmio Golden Pen of Freedom, entregue pela WAN-IFRA, edição de 2018. A sessão decorreu logo a seguir à abertura oficial do 70º. Congresso de Editores e Jornalistas que se realizou no Estoril, e foi um cerimónia cheia de emoção principalmente durante o discurso da premiada.

David Callaway fez a apresentação de Maria Ressa e destacou a jornalista corajosa e defensora incansável dos valores do jornalismo principalmente quando é exercido em países onde a liberdade de imprensa não é respeitada.

“Estamos aqui para nos solidarizarmos com ela e sua empresa, pois enfrentam imensas pressões, ataques pessoais e tentativas orquestradas de minar o profissionalismo e a credibilidade de uma marca de notícias, que conquistou o respeito do público das Filipinas”, salientou no seu discurso.

A Rappler é considerada a principal empresa de notícias digitais sobre as Filipinas, “e Maria Ressa uma das mais corajosas jornalistas do mundo, ao enfrentar o poder político do seu pais que tenta calar as vozes críticas da sociedade civil”.

David Callaway deu conta que Maria Ressa e a sua empresa sofreram nos últimos anos vários ataques. “Nos piores períodos ela contou 90 ataques pessoais por hora, desde mensagens virtuais até notícias nos media.. Estupro e ameaças de morte, mensagens direcionadas para si e para a sua família, extensivas aos repórteres do Rappler, fazem com que o trabalho de informar seja uma actividade perigosa nas Filipinas”, avisou.

“O vencedor do Prémio Caneta de Ouro do ano passado, Can Dundar, continua exilado de sua casa, na Turquia, enquanto mais colegas de seu jornal, Cumhuriyet, são presos por um governo que ataca jornalistas como inimigos do Estado”, recordou David Callaway.

“Esperamos que, ao concedermos a Pena de Ouro da Liberdade a Maria Ressa, o governo filipino reflicta antes de considerar seu próximo passo, que faça um balanço do que as suas acções significam para o futuro democrático do país e dos seus milhões de habitantes. Uma imprensa livre é o maior sinal de um sistema político forte e confiante”, advogou ainda o presidente do World Editors Forum, que apelou ao presidente das Filipinas, Rodrigo Roa Duterte, para que respeite e faça do seu país um lugar de liberdade e de futuro.

Maria Ressa

Maria Ressa em discurso directo: "os novos guardiões da democracia são as empresas de tecnologia"

“É bom ver tantos rostos familiares, muitos de vocês que conheci quando era repórter e o mundo era mais simples. Vocês realmente não sabem em que mundo vivem até serem forçados a lutarem para defendê-lo.Então, em cada batalha que vocês ganham - ou perdem - todos os compromissos que vocês escolhem definem os valores pelos quais vocês vivem e, em última análise, quem vocês são”.

“Nós, da Rappler, quando olharmos para o passado, daqui a uma década, queremos ter a certeza de que fizemos tudo o que pudemos: não nos esquivamos, não nos escondemos”.

“A perseguição aos jornalistas não está acontecendo apenas nas Filipinas. De acordo com a Freedom House , em pelo menos 30 dos 65 países estudados, há grupos nas redes sociais que tentam criminosamente reverter a democracia. Na Índia, na África do Sul, no México, isso acontece no Twitter; noutros países é no WhatsApp. Os dados que colectamos do Facebook mostram que as mulheres carregam o peso desses ataques, muitos deles sexuais, com o objectivo de nos roubarem a dignidade e nos levarem à submissão. Então, como vamos sobreviver? Nós procuramos soluções: No longo prazo será a luta pela educação. No médio prazo a luta pela literacia mediática. No curto prazo a aposta no jornalismo de investigação.”

“Como os novos guardiões da democracia no mundo são as empresas de tecnologia, eles têm o poder de melhorar as coisas e é isso que esperamos deles”.

“Eu sei por minha própria experiência que o bom jornalismo é um mau negócio. Os ataques do governo filipino levaram o Rappler a um momento financeiro complicado, mas estamos determinados a sobreviver. Por favor, ajude-nos a atravessar as dificuldades e participe da nossa campanha de crowdfunding em http://rappler.com/support

“Obrigado, WAN-IFRA por nos premiar a dar visibilidade à nossa luta. Esta é uma batalha global que precisamos vencer. Este prémio é também para todos os jornalistas filipinos. Para os homens e mulheres no governo. TODOS os filipinos que continuam a lutar por nossos valores”.

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