Sociedade | 05-07-2018 11:18

Já arrancaram as obras de reparação do Açude “polémico” de Abrantes

Já arrancaram as obras de reparação do Açude “polémico” de Abrantes

O prazo de execução da empreitada é de 90 dias.

As obras no açude insuflável de Abrantes, que se encontra fora de serviço há mais de três anos e que foi alvo de vandalismo, arrancaram esta quinta-feira, 5 de Julho. Os trabalhos da 1ª fase vão reparar os vãos 3 e 4 do Açude Insuflável de Abrantes, sendo o prazo de execução da empreitada de 90 dias.

A empreitada consta da construção de um aterro, a partir da margem direita do Rio Tejo, para colocação de ensecadeiras (dispositivos utilizados para a contenção temporária da acção das águas em superfícies escavadas), a montante dos vãos a reparar. É uma intervenção preparatória para uma 2ª intervenção que constará de trabalhos de inspecção e reparação das comportas insufláveis dos vãos 3 e 4 do açude, tendo em vista a resolução de fugas de ar na comporta do vão 3 e a reparação do rombo ocorrido na comporta do vão 4, na sequência de actos de vandalismo.

A intervenção está adjudicada à empresa Construmação – Construções e Terraplanagens, Unipessoal, Lda., pelo valor de 146 mil euros.
Açude fora de serviço há três anos

O açude insuflável em Abrantes foi desactivado na sequência das obras na ponte rodoviária sobre o Tejo em Abrantes, que começaram em Setembro de 2014 e duraram quase dois anos. Em Julho de 2016, O MIRANTE noticiava que o açude tinha sido alvo de actos de vandalismo que acabaram por danificar a estrutura e impediam que esse equipamento fosse reactivado. O vice-presidente da Câmara de Abrantes, João Gomes, explicou na altura aos jornalistas que “a autarquia só deu pelo problema quando foi notificada pela Infraestruturas de Portugal (IP) que já podia insuflar o açude”, após terem sido concluídas as obras na ponte.
“O que fizeram foi furar um tubo na zona da manga do vão do açude”, explicou o vereador. As empresas autoras do projecto foram contactadas para fazer o levantamento da ocorrência, para que o dano fosse reparado, o que ainda está por concretizar.

Sistema passa-peixe ineficaz e sem licença

O açude insuflável suscitou alguma controvérsia desde o seu anúncio e tem sido notícia ao longo dos anos por razões negativas, relacionadas com actos de vandalismo e também com problemas no sistema passa-peixe. Recorde-se que em Abril de 2015, milhares de peixes de grandes dimensões e variadas espécies que tentavam ultrapassar o açude para continuarem a subir o Tejo e desovar morreram encurralados numa zona labiríntica de cimento construída com o açude e denominada passa-peixe.

Um sistema que foi construído sem licenciamento informava o Ministério do Ambiente em Setembro de 2009 em resposta a um requerimento apresentado pela deputada Alda Macedo, do Bloco de Esquerda. Os dirigentes do BE alertavam em Junho desse ano que milhares de peixes “estavam a morrer” junto ao açude “por deficiências nos corredores que deveriam permitir a sua passagem, ficando a esbarrar contra a parede do açude sem conseguir seguir caminho”.

Uma obra de 10 milhões de euros

O primeiro açude insuflável construído em Portugal foi inaugurado a 16 de Junho de 2007 pelo então primeiro-ministro José Sócrates. A intenção da Câmara de Abrantes, à época liderada pelo socialista Nelson Carvalho, foi criar um amplo espelho de água – o chamado “mar de Abrantes” - para atrair mais turismo para a o concelho. O investimento de dez milhões de euros constituiu uma obra única em Portugal, com tecnologia importada do Japão.

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