Sociedade | 06-07-2018 11:34

“Para ser campino é preciso esquecer os fins-de-semana e os feriados”

“Para ser campino é preciso esquecer os fins-de-semana e os feriados”
Joaquim confessa ser “uma grande emoção” ser homenageado no Colete Encarnado

Joaquim Lopes da Silva, 53 anos, é o campino homenageado este ano no Colete Encarnado. Começou a campinar aos cinco anos para ajudar o pai guardando os bezerros que eram tirados às mães. Os cavalos e os toiros são uma paixão de grande respeito e proximidade. Diz que teve a sorte de ter uma grande mulher a seu lado, que foi – e ainda é – o seu grande amparo.

Ser campino “é a melhor profissão do mundo” para quem gosta de natureza e de animais mas também exige “tremendos” sacrifícios. Quem o diz é Joaquim José Lopes da Silva, 53 anos, o campino homenageado no próximo sábado, às 16h00, na festa do Colete Encarnado em Vila Franca de Xira. “Para se ser campino é preciso esquecer muita coisa, incluindo os fins-de-semana e os feriados. Gostava de ver mais jovens a campinar, terem a oportunidade de aprender a arte como eu aprendi, mas hoje é mais difícil. Os miúdos nem todos estão para fazer esses sacrifícios e isto é um trabalho onde é preciso vestir a camisola”, explica a O MIRANTE.
Joaquim, natural de Santo Estêvão, Benavente, onde ainda reside, começou na actividade a ajudar o pai quando tinha cinco anos. Guardava os bezerros que eram tirados às mães. Era o terceiro de quatro irmãos. Quando era jovem chegava a demorar três dias para levar gado da Chamusca para as lezírias. Confessa que no início da profissão “nem habilidade tinha para conseguir arranjar um cavalo” na herdade onde trabalhava.
Teve de fazer-se ao caminho e lutar para ser melhor. Um dia defendeu-se com um saco de farinha de um bezerro que investiu contra si. Diz que um bom campino nunca se deve deixar tomar pelo excesso de confiança. “Estou consciente que não vivo num mar de rosas, este trabalho tem muitos perigos mas tento sempre fazê-lo bem feito e sem facilitar”, conta.
Hoje o trabalho de qualquer campino é também feito com máquinas. “Dantes para 70 cabeças de gado havia três homens, hoje guardam-se 200 animais com um homem. Há novos mecanismos e novas soluções”, explica. Joaquim diz que “teve a sorte” de encontrar “uma grande mulher” que sempre esteve a seu lado. É o seu grande amparo.
“Tive uma vida boa, a fazer o que gostava e sempre fiz o que queria. Já vim várias vezes ao Colete Encarnado mas nunca esperei vir a ser o homenageado. Não procuro homenagens, só quero fazer o meu trabalho. Quando me falaram disso fui apanhado de surpresa e pedi uns dias para pensar se queria aceitar ou não, porque ser homenageado no Colete Encarnado é uma responsabilidade muito grande. Mas não me deixaram pensar quase nada”, conta com um sorriso.
O pampilho de honra que vai ser atribuído a Joaquim Silva leva o nome de outro Joaquim, Joaquim Isidro dos Santos, nascido em Benavente em 1926 e que desde os 10 anos guardava gado. Sempre participou nas festas tradicionais do Ribatejo, incluindo Vila Franca de Xira, e morreu aos 91 anos deixando um legado de dedicação ao trabalho. O filho, Joaquim Carlos e o neto, Luís, mantêm vivo na campinagem o nome de Joaquim Isidro dos Santos.

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