Sociedade | 28-07-2018 19:58

"Não há nenhum curso que ensine a liderar um grupo"

"Não há nenhum curso que ensine a liderar um grupo"

Cabo dos Forcados Amadores da Chamusca, Nuno Marecos, que é segurança de profissão, diz que proteger vinte jovens é mais difícil do que proteger Cristiano Ronaldo.

O cabo dos Forcados Amadores da Chamusca, Nuno Marecos, que é segurança de profissão e que se destacou, em Maio deste ano, por ter acompanhado Cristiano Ronaldo na final da Liga dos Campeões, disputada em Kiev, na Ucrânia, considera que ser cabo do grupo ribatejano acarreta mais responsabilidade do que proteger altas individualidades.

“Quando faço segurança a figuras públicas isso faz parte do meu trabalho e tenho preparação específica para isso. Ser cabo dos Forcados Amadores da Chamusca é diferente porque sou responsável a tempo inteiro por vinte jovens e tudo o que sei sobre essa missão tive que aprender à minha custa", explica a O MIRANTE cerca de três horas antes do início da corrida de toiros no Campo Pequeno.

O forcado que trabalha para empresa de segurança ANTHEA - Segurança Privada, já trabalhou como Director de Segurança no Aeroporto de Lisboa e foi paraquedista e já é habitual vê-lo nos mais diversos cenários como segurança pessoal de altas individualidades.

A empresa presta serviços de protecção e segurança pessoal a jogadores da Selecção Nacional de futebol e tem mais de vinte especialistas em segurança pessoal, na sua maioria oriundos das diferentes forças especiais portuguesas e com elevada preparação em matéria de defesa pessoal e desportos de combate, exercem as suas funções, de protecção dos clientes.

Já aconteceu muitas vezes a Nuno Marecos ter que ir trabalhar no seguinte depois de uma noite de corrida de toiros. “Em vez de dormirmos oito horas dormimos apenas duas ou três mas pelo nosso grupo de forcados vale o sacrifício. Além disso, sempre tive a sorte de ter patrões que compreendem a minha actividade no mundo dos toiros”, refere.

O forcado diz que, tanto no trabalho como nas pegas de toiros nem tudo é feito à base da força mas que a força física é indispensável. “Tenho que ter uma boa preparação física, tanto como forcado como segurança por isso não a descuro, apesar de nem sempre ter tanto tempo quanto gostaria para treinar”, realça.

Nuno Marecos tem 40 anos e é cabo dos Forcados Amadores da Chamusca há quatro. Natural de Almeirim, começou a pegar toiros com 13 anos. O seu pai tinha talhos e comprava muitos toiros lidados nas praças portuguesas e conhecia empresários e agentes taurinos.

“Desde pequeno que me habituei a andar com o meu pai de um lado para o outro. Levava-me às ganadarias para ver os toiros que mais tarde viria a comprar. Andei sempre neste meio e arrisco-me a dizer que vi mais corridas de toiros em miúdo do que agora. Naquela altura percorria as praças de toiros do país com o meu pai e o bichinho acabou por ficar”, recorda.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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