Sociedade | 11-08-2018 18:00

Trabalhar sem ar condicionado com os termómetros para lá dos 40º

Trabalhar sem ar condicionado com os termómetros para lá dos 40º

Beber muita água, cobrir o corpo com vestuário, usar protector solar e evitar, quando possível, trabalhar nas horas de maior canícula são cuidados a ter por quem trabalha ao sol e não pode fugir às obrigações laborais.

O calor que se faz sentir nos campos da estrada do campo de Alpiarça é abrasador. São 12h30 de quinta-feira, 2 de Agosto, e o termómetro do carro marca 42 graus. Paula Cristina está a trabalhar no campo com duas colegas, como é habitual. Protegidas com camisas de mangas compridas, chapéus e lenços a proteger o rosto. Esta é uma das formas que encontram para proteger a pele do sol escaldante. Junto delas está uma garrafa de água gelada que vão misturando com água tépida para se irem mantendo hidratadas.
“Devia colocar protector solar mas não coloco. Ponho um creme todos os dias. Mas também andamos sempre tapadas”, refere Paula Cristina que trabalha no campo há mais de 20 anos. Nesse dia começou às seis da manhã e termina à uma da tarde. “O calor é muito intenso por isso vamos para casa mais cedo, porque é impossível estar no campo à esturra do calor”, afirma a agricultora.
José Lopes tem 57 anos e trabalha há vários anos na Câmara de Alpiarça. No dia 2 de Agosto, por volta do meio-dia, já suava depois de andar a manhã toda em cima do corta-relvas. Já está habituado a trabalhar ao sol mas nos dias de calor mais intenso confessa que é mais difícil. Protector solar não usa porque diz que a sua pele já se habituou ao sol mas confessa que bebe água de vez em quando e quando é possível aproveita uma sombra para recuperar forças. “Não podemos fugir do trabalho porque ele tem que se fazer. O calor deixa-nos mais cansados mas temos que trabalhar”, diz o funcionário, que esteve ao serviço até às duas da tarde.

São dias mais difíceis mas tudo se faz
Pedro Martins é o responsável pelo assador no restaurante “O Janeiro”, em Almeirim, e confessa a O MIRANTE que nos dias de calor mais intenso é muito difícil trabalhar. “Este é um trabalho que habitualmente já é quente e nestes dias torna-se pior. Apesar de termos boas condições e o ar condicionado ser forte, mesmo assim é preciso ter cuidado porque as temperaturas junto ao grelhador são muito elevadas. Costumo beber água com frequência para não desidratar”, explica Pedro Martins.
Junto ao Complexo Aquático de Santarém encontramos Vítor Neves, ajudante de calceteiro, que andava a carregar pedras da calçada. O trabalhador admite que é difícil trabalhar debaixo de temperaturas elevadas mas que o truque é beber muita água e esquecer o calor. “São dias mais difíceis para trabalhar mas tudo se faz. Ponho protector solar mas com o pó fica tudo agarrado ao corpo, por isso nem sempre coloco. A pele já está habituada ao sol e não faz tanta mossa”, diz.

Cavalos também recebem cuidados especiais
Raquel Lapa é equitadora, professora de equitação e tratadora de cavalos no seu Centro Equestre da Lapa, em Benavente, e contou a O MIRANTE como gere as suas actividades profissionais, que são todas feitas ao ar livre, nestes dias calor.
O trabalho de Raquel começa bem cedo para evitar o calor. Por volta das sete da manhã, vai tratar dos cavalos. Dá-lhes feno, ração e água. Os animais estão em paddocks (local vedado ao ar livre), porque Raquel sente que ali são mais felizes, mas tal como as boxes, também precisam de ser limpos.
Depois de tomar o pequeno-almoço, chega a hora de começar a montar os cavalos e de dar aulas aos alunos que vão chegando. Raquel Lapa diz que, nos dias de calor, “às onze horas já não se pode”, por isso tenta agendar as aulas com os alunos para o mais cedo possível.
Para proteger a pele dos raios solares, a equitadora usa protector solar de factor 50, veste-se o mais tapada possível e usa óculos escuros e chapéu. Não prescinde de beber muita água, por isso bebe uma garrafa durante a manhã e outra durante a tarde.
Tal como as pessoas, os cavalos precisam de cuidados redobrados quando os dias atingem temperaturas muito altas e Raquel muda-lhes a água várias vezes ao dia para garantir que dispõem dela sempre fresca. O uso de um sistema de rega, que vá humidificando o solo e os animais tornando o ambiente menos seco, e protector solar e redes que evitem que os animais sejam muito picados pelas moscas são alguns dos cuidados que têm no Centro Equestre da Lapa quando vêm dias quentes.
A participação em provas de obstáculos quando a temperatura é muito alta preocupa a equitadora, que adianta: “No próximo domingo, temos uma prova em Alfeizerão e estou um bocadinho reticente em ir, porque estão a prever temperaturas de quarenta e tal graus e os cavalos não têm a mesma energia, nem o mesmo desempenho e as pessoas também não andam bem. Eu, às vezes, até sinto tonturas com tanto calor”, afirma.

Mais Notícias

    A carregar...

    Edição Semanal

    Edição nº 1381
    13-12-2018
    Capa Médio Tejo
    Edição nº 1381
    13-12-2018
    Capa Vale Tejo