Sociedade | 24-08-2018 07:53

O estranho caso do desaparecimento de Luís Grilo

O estranho caso do desaparecimento de Luís Grilo

Luis Grilo desapareceu há 40 dias. Na freguesia correm boatos e muita gente deita-se a adivinhar. O MIRANTE passou pela terra e falou com gente que conhece o triatleta desaparecido.

Luis Grilo, o triatleta amador das Cachoeiras, desapareceu há trinta e oito dias. A terra onde morava continua a viver dias calmos, uns atrás dos outros. Poucas pessoas se vêem nas ruas. As que se vão encontrando pela freguesia dizem que mal conheciam Luís Grilo. “Via-o passear o cão ou a passar de bicicleta”, é a frase que mais se ouve quando se pergunta por ele.

No café Nova Imagem, dos poucos que estão abertos nas ruas estreitas das Cachoeiras, já quase não se fala no caso. “As pessoas só cometam quando o caso aparece na televisão”, conta o rapaz de olhos claros do outro lado balcão, “aí sim, fazem várias suposições”, acrescenta.

Pela freguesia, há quem suponha que Luís Grilo se foi embora por vontade própria. “É um caso muito estranho. E como é que o telemóvel aparece assim? O meu quando cai salta-lhe tudo, fica com a bateria para um lado e telemóvel para outro”, observa um popular. Há boatos de toda a espécie, na tentativa de se encontrar uma explicação que tarda em aparecer.

De facto, o desaparecimento de Luís Grilo está cheio de incógnitas. A 16 de Julho, pelas 16h, Luís Grilo desaparece quando vai fazer um treino de ciclismo, após alguns dias de ter vindo de uma prova de Ironman, em Frankfurt, na Alemanha.

Segundo o sobrinho, que falou a O MIRANTE cinco dias após o desaparecimento do tio, Luís Grilo disse à mulher Rosa que estaria em casa por volta das 18h para ir com filho à natação. Após algumas horas de espera, a GNR da Castanheira do Ribatejo é chamada e faz todos os esforços para ajudar a família nas buscas. Na quarta-feira seguinte, o telemóvel de Luís Grilo é encontrado junto à estrada nos Casais da Marmeleira, Alenquer, sem o saco plástico com que o triatleta costumava protegê-lo do suor, por o usar junto ao corpo, quando ia treinar. Segundo o sobrinho, dentro da capa do telemóvel, que era daquelas de abrir, havia dinheiro e os documentos do tio, no entanto a bicicleta continua sem aparecer, tal como o seu dono.

Além da GNR e dos Bombeiros Voluntários da Castanheira do Ribatejo, amigos, familiares e desconhecidos palmilharam os terrenos prováveis e improváveis dias a fio, na esperança de encontrarem algum sinal do triatleta, mas sem sucesso. Há uma pessoa que diz que o viu na estrada nacional 10 em direcção ao Carregado. Há uma câmara de uma fábrica que filma um vulto a passar de bicicleta, mas é apenas um vulto e não dá para identificar o ciclista. Há até uma vidente da Irlanda que diz saber onde se encontra o desaparecido. Nenhum destes testemunhos levou, até agora, ao encontro de Luís Grilo.

Vitor Cunha, que falou por telefone com Luís Grilo cerca de duas horas antes do seu desaparecimento para combinarem um jantar de aniversário de um amigo comum, contou a O MIRANTE no sábado, dia 21 de Julho, que a GNR recorreu a vários meios nas buscas que efectuou. Desbravou terrenos, utilizou equipas cinotécnicas, teve militares no terreno a cavalo, de mota e a pé, sem obter mais sinais do triatleta.

Entretanto o caso passou para a alçada da Polícia Judiciária, por suspeitas de crime de homicídio e a investigação continua a cargo desta polícia.

O desaparecimento de Luís Grilo, engenheiro informático e gerente da Gsystem - Consultoria Informática e Assistência Técnica, em Alverca do Ribatejo, também tem posto as pessoas da zona em redor da empresa a tentar adivinhar o que lhe terá acontecido. Viam-no passear o cão nas redondezas e ir à pastelaria A Natinha, agora fechada para férias, e pouco mais.

A empresa de Luís Grilo lá continua a funcionar sem o gerente. Os clientes, na sua maioria também amigos, vão perguntando se há novidades, conforme disse Marco Pinto, técnico informático da Gsystem. Mas não há, o caso continua envolvido em mistério.

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