Sociedade | 25-08-2018 13:31

Sistema de tratamento de Alcanena nas mãos da câmara é um risco

Sistema de tratamento de Alcanena nas mãos da câmara é um risco
Joaquim Inácio tem uma visão optimista sobre o futuro da Austra

Presidente da Austra diz que a intenção de acabar com a concessão pode trazer problemas para a população e para o ambiente.

O presidente da Austra - Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, Joaquim Inácio, considera que muita água ainda vai correr até que a entidade seja afastada da gestão do sistema de tratamento da vila, conhecida pela pujança das indústrias de curtumes. O industrial mostra-se preocupado com o ambiente, porque dele também depende o futuro da indústria, sobretudo porque considera que a câmara, que quer resgatar o contrato de concessão com a Austra, não tem vocação, nem experiência para tomar conta de um sistema destes. Nos últimos tempos tem-se assistido a um conflito de interesses entre a câmara, dona do sistema, e a Austra, da qual por inerência a autarquia faz parte. Uma coisa é certa, assegura o presidente da associação, a Austra não vai acabar.

A câmara pretende acabar com o contrato de concessão assinado em 1995 com a Austra para a exploração da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena. Como vê esta decisão?

Houve uma anterior tentativa da câmara para a constituição de uma empresa municipal para gerir o sistema de tratamento, com a participação da Austra. Não foi o facto de termos uma pequena participação que ditou o nosso desagrado, mas sim o facto de englobar o abastecimento de água. Dissemos claramente que não tínhamos vocação para esta área. Mas esta solução também não seria fácil porque seria exigido um concurso público para escolha do parceiro privado.

Se não tivesse a parte de abastecimento de água aceitariam?

A nossa maior preocupação tem a ver com o facto de o sistema passar a ter uma gestão de modelo público. Sem querer adjectivar, passaríamos a ter uma casa com os vícios e inoperância de uma administração pública. Ao Estado deve caber o papel de regulador forte e duro quando tiver de ser.

Foi feita mais alguma proposta concreta?

Houve um projecto de acordo que a autarquia nos submeteu em que saíamos com zero.

Não se está a ter em conta que a Austra tem investido milhões no sistema…

E há outros investimentos que são necessários. E se estes não forem feitos alguma coisa se vai passar de mau.

Com o modelo que a câmara pretende, de uma empresa municipal a gerir o tratamento de águas da indústria e domésticos, não vai ser possível fazer os investimentos?

A minha opinião desabrida é não. A câmara não tem vocação, não tem experiência.

Qual seria o acordo razoável?

Apresentámos uma proposta alternativa que era, do nosso ponto de vista, adequado e resolvia todas estas questões. Ou seja, a empresa municipal seria constituída e dedicava-se ao tratamento dos efluentes domésticos. Para a área do saneamento industrial faria um acordo de colaboração com a Austra. Para isto era preciso que houvesse vontade política da câmara e tinha de ser trabalhado com várias entidades estatais, como a Agência do Ambiente.

ENTREVISTA CMPLETA NA EDIÇÃO EM PAPEL JÁ NAS BANCAS

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