Sociedade | 26-08-2018 07:17

Quem quer animação popular chama o “Quarteto Nelson Pisco”

Quem quer animação popular chama o “Quarteto Nelson Pisco”
José Azoia, António Graça, João Afonso e Nelson Pisco andam a animar as festas na região há seis anos

Grupo musical de Casével na Tertúlia da Barafunda em Coruche.

Um dia o Quarteto Nelson Pisco foi contratado, sabe-se lá porquê e por quem, para animar um evento na Quinta do Gaio, no Cartaxo. Só quando os músicos começaram a actuação é que perceberam que, provavelmente, alguém se tinha enganado a analisar o currículo do grupo. A história é contada por um dos elementos, António Graça, que dá um tom épico cómico ao sucedido.

“Quando olhamos para o público percebemos que estávamos numa festa de gente fina mas já não havia nada a fazer. Tocámos como se estivéssemos nos locais onde costumamos tocar e acabámos por conseguir que toda a gente perdesse aquele ar todo compostinho e se divertisse”, contam.

Os elementos do grupo de Casével, Santarém, gostam de música popular, convívio e alegria. A brincar dizem que tiraram um curso de petisqueiros nas mais conhecidas tascas da região e contam que há meia dúzia de anos, a meio de um convívio na casa de um deles, decidiram fundar o quarteto.
Actuam com uns bonés típicos das pessoas do campo e agora no Verão usam umas t-shirts azuis.

Nelson Pisco, que trabalha numa fábrica de curtumes em Alcanena, é o músico do grupo. Toca acordeão. Os outros fazem acompanhamento com recurso a uns ferrinhos, a uma cana rachada e ao bater de uma tampa almofadada na boca de um cântaro.

Tocam e cantam de tudo um pouco. Podem passar de um fandango para um corridinho do Algarve ou do Fado do Embuçado para outra qualquer canção popular. Tocam em cima de reboques de tractores, em palcos enfeitados com canas, em tabernas e restaurantes. Fazem gala em dizer que quando vão actuar deixam as mulheres em casa mas percebe-se pelo tom de brincadeira que os dias das saídas devem ser dias de festa para elas. “Elas não aguentam as nossas andanças”, jura José Azóia, empresário agrícola e o mais velho do grupo, perante o nosso ar céptico.

O MIRANTE encontrou o Quarteto na Tertúlia da Barafunda, nas Festas de Nossa Senhora do Castelo em Coruche. Tinham sido chamados para animar o almoço. “Este é um grupo sempre com grande animação que procura cultivar amizades”, diz António Graça, de Vale de Figueira, que trabalha na empresa Borrego, Leonor & Irmão, enquanto ataca uma febra no pão.

Nelson Pisco vai bebendo uma cerveja para aclarar a voz. O ambiente é alegre. “Nós somos sempre muito bem tratados”, diz, enquanto dá uma gargalhada. João Afonso, de Santarém, está atento à conversa e vai rindo e metendo a sua colherada”.

João Azóia vai recontando a história da fundação com a ajuda dos amigos. “Estávamos nas festas da minha terra, em Casével e pensámo: Porque não criar um quarteto para actuar em festas tocando e cantando coisas do nosso Cancioneiro Nacional?”. E acrescenta. “Agora já não temos mãos a medir”.

Sempre preparados para a brincadeira, o quarteto vai ganhando cada vez mais admiradores jovens. E se as actuações agora são quase todos os fins-de-semana, já os ensaios são muito raros ou quase nunca. “Costumamos reunir de 15 em 15 dias, mas os nossos verdadeiros ensaios são quando actuamos”, revela Nelson Pisco.

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