Sociedade | 06-09-2018 08:37

Desaparecidos mas não esquecidos

Bens de quem desaparece ficam intocáveis até que o tribunal declare morte presumida.

Ana Carla Raposo Pires desapareceu a 10 de Novembro de 2013 e até hoje o seu paradeiro permanece desconhecido. A mulher, na altura com 40 anos, residente em Castanheira do Ribatejo, foi vista pela última vez junto ao cais fluvial de Vila Franca de Xira. O seu rosto é um dos que figura na lista de desaparecidos da Polícia Judiciária, mas o caso, diz João Pires, seu irmão, foi arquivado ao fim de um ano. Até hoje, falar em luto é difícil para a família, que nunca mais teve notícias de Ana. Sabe-se que na noite do seu desaparecimento vestia calças de ganga azuis e calçava botas pretas. A avó, de 86 anos, confirmou à PJ que a sua neta andava a ser ameaçada por telemóvel.

No final da tarde desse dia 10, Ana Pires deixou a sua casa na Castanheira do Ribatejo e partiu em direcção a Lisboa, onde se iria encontrar com a avó, para “passarem uns dias juntas, como era habitual”, recorda João Pires.

A falta de dinheiro levou-a a percorrer cerca de seis quilómetros a pé até Vila Franca de Xira, cidade onde podia levantar dinheiro com a caderneta, já que não possuía cartão multibanco. Pelas 21h30 é vista num dos cais de Vila Franca de Xira e uma hora depois, num outro cais, sito no Bairro dos Avieiros, onde pede ajuda a um pescador. Pede três coisas: um agasalho, para a levarem até Lisboa e um telemóvel para fazer uma chamada. Dois dias depois, João Pires encontra dois casacos da irmã numa fábrica abandonada, perto do cais. O caso ficou nas mãos da Polícia Judiciária, mas até à data nada se sabe do paradeiro desta mulher.

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