Sociedade | 30-11-2018 10:00

Hotéis de Fátima contra taxa turística proposta pela Câmara de Ourém

Hotéis de Fátima contra taxa turística proposta pela Câmara de Ourém

Associação da Hotelaria de Portugal repudia iniciativa do município, que diz estar desajustada da realidade local.

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e os hoteleiros de Fátima estão contra a aplicação de uma taxa turística pela Câmara Municipal de Ourém, segundo revelou o organismo em comunicado. Os hoteleiros declaram-se “totalmente surpreendidos com a iniciativa da Câmara Municipal de Ourém unem-se em repúdio à criação de uma taxa municipal de ocupação turística”, de acordo com a mesma nota.

A Câmara de Ourém colocou em consulta pública a proposta de cobrar um euro por dormida, com um valor máximo de três euros por hóspede, a título de taxa turística. No documento, datado de 29 de Outubro, a autarquia recorda que “os municípios têm vindo a criar as necessárias infraestruturas que sustentam a actividade turística, e nesse sentido, prestam um serviço de utilidade pública de âmbito nacional que cria desequilíbrios orçamentais de carácter estrutural”.

Para a Associação da Hotelaria de Portugal esta medida está “desajustada à realidade de Fátima” e irá prejudicar “fortemente os hoteleiros locais, relativamente aos demais agentes económicos daquele destino”. A associação recorda que o destino Fátima/Templários é o que tem “mais baixa performance hoteleira do país”, sendo marcado por picos, por uma grande quantidade de oferta, pela “dependência da tour operação” e proximidade a outros destinos.

A região recebeu um impulso com a visita do Papa Francisco, em 2017, mas a AHP chama a atenção para “a descida dos indicadores para 2018, resultando à data em performances similares a anos anteriores a 2017”, tendo a taxa de ocupação, até Setembro, caído 8,4 pontos percentuais, para 48% e o REVPAR (receita por quarto disponível) descido 10%, fixando-se em 29 euros. A média nacional é de 72% e 70 euros respectivamente, recorda a associação.

Citado no mesmo comunicado, o presidente da associação, Rui Martins, salienta que “o turista de Fátima não é um turista típico, não sendo necessariamente um hóspede. Pelo que não podemos sobrecarregar os hoteleiros com esta taxa que não traz vantagens para o desenvolvimento turístico do destino”.

O dirigente pede também a “afectação parcial do denominado IVA turístico ao concelho, para ser alocado a investimento que venha melhorar qualidade da experiência do visitante e da vida da população que trabalha e vive do Turismo”, lê-se no mesmo comunicado.

A AHP reuniu-se com dezenas de hoteleiros da região, em 13 de Novembro, e irá agora “assumir a posição para a qual foi mandatada pelos seus associados, pelo que entregou a sua contestação em sede de consulta pública da proposta de regulamento”.

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