Sociedade | 02-12-2018 12:30

“A criatividade está em toda a gente, mas na maioria dos casos não é agitada”

“A criatividade está em toda a gente, mas na maioria dos casos não é agitada”
MEMÓRIA

Manuel Lopes de Sousa, conhecido como o inventor de Abrantes, faleceu no sábado, 24 de Novembro, aos 95 anos, após uma vida cheia de arte e engenho.

Manuel Lopes de Sousa faleceu no sábado, 24 de Novembro, após 95 anos de uma vida cheia em que a criatividade e espírito engenhoso lhe valeram o cognome de “o inventor de Abrantes”, a cidade onde nasceu e onde foi sepultado no passado domingo.

A história de vida de Manuel Lopes de Sousa já tinha despertado a curiosidade de O MIRANTE em 2002, quando o jornal o entrevistou para a rubrica “Identidade Profissional”. Nessa peça, publicada na edição de 18 de Dezembro de 2002, contámos resumidamente o seu percurso de vida. “A criatividade está em toda a gente, mas na maioria dos casos não é agitada, não é despertada”, dizia.

O “bichinho” criativo do inventor despertou aos oito anos, quando começou a jogar à bola com os amigos. “Naquele tempo fazíamos bolas de meias, mas duravam pouco e eu pensei em arranjar uma bola capaz”. Pediu à irmã que lhe ensinasse a fazer malha e fez uma meia concha em fios de guita que ia pedir às lojas. Depois desta estar terminada começou outra meia concha, ao contrário, acabando assim por formar uma esfera perfeita, que encheu de trapos ou papéis. Estava feito o primeiro invento, que durou uma eternidade.

Iniciou a sua vida activa com apenas 14 anos como aprendiz de serralheiro (sem direito a remuneração) mas depressa iniciou um percurso de engenho e trabalho, construindo peças artísticas de ferro forjado ou concebendo máquinas como aquela que faz um arame em “S” que servia para segurar as telhas dos telhados à portuguesa, a telha de canudo. As invenções eram feitas sempre após o horário de trabalho. Na década de 1970 largou tudo, dedicando-se exclusivamente à arte e ao engenho de inventar novas coisas na sua oficina.

A máquina para limpar azeitona era considerada por Manuel Lopes de Sousa a sua grande invenção. Uma máquina que pesava apenas 125 quilos e limpava quatro mil quilos de azeitona por hora e que valeu ao inventor de Abrantes a medalha de ouro da exposição internacional dos inventores, na Suíça, em 1977. Anos mais tarde, em Bruxelas, Manuel Lopes de Sousa voltou a receber uma medalha de ouro, dessa vez por inventar um filtro respiratório para aplicação nasal.

A nível nacional também ganhou muitas medalhas, nomeadamente na Feira Nacional de Agricultura, de Santarém. Tinha todas as suas invenções feitas em miniatura, guardadas e catalogadas em casa.

Em 16 de Maio de 2013, o empresário foi homenageado pelo Tagusvalley e pela NERSANT - Associação Empresarial da Região do Ribatejo, numa cerimónia que teve lugar no edifício INOV.POINT, no Tecnopólo do Vale do Tejo, em Alferrarede, onde esteve patente uma exposição com peças da sua autoria e contagiou os presentes com a sua vitalidade e boa disposição.
Foi casado com Emília Rosa Lopes, sua companheira de sempre na labuta pela vida e desse matrimónio nasceram três filhos.

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