Sociedade | 08-12-2018 12:30

“Todas as pessoas são válidas independentemente da sua condição física” 

“Todas as pessoas são válidas independentemente da sua condição física” 

Isaura, que sofre de paralisia cerebral motora, recebeu O MIRANTE em casa, no centro da Golegã.

Os dias de Isaura Matos são preenchidos. Segundas e sextas são passadas no CERE - Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento, onde se dedica principalmente à pintura. Terças, quartas e quintas está na Mendes Gonçalves, na Golegã, como voluntária, onde faz a preparação de embalagens. Quando sobra um tempinho dedica-se a outra paixão: a escrita.

Isaura, que sofre de paralisia cerebral motora, recebeu O MIRANTE em casa, no centro da Golegã. É ali, no escritório que pertenceu ao seu avô, decorado com fotografias e artigos de jornal sobre tauromaquia que nos revela, com um brilho nos olhos, o conto seleccionado para integrar a colectânea “Natal em Palavras” da Chiado Editora.

Com um discurso claro mas um pouco arrastado, reflexo da doença que lhe foi diagnosticada desde tenra idade, Isaura, agora com 33 anos, conta que se inspirou na história de vida da sua mãe, adoptada em criança por uma família que não podia ter filhos.

A mãe e a irmã mais velha são os seus pilares. “São protectoras e amigas para todas as ocasiões”, diz Isaura, revelando que também descobriu o amor que vai além do amor fraterno e familiar. “Estou apaixonada, descobri o que é o amor e ser estimada, no fundo descobri o que é ser feliz”. O sorriso cresce-lhe no rosto quando se refere ao namorado Carlos que conheceu no CERE há três anos e que a valoriza com os seus “defeitos e limitações”.

Encontrámos Isaura no Dia das Pessoas com Deficiência e quisemos saber se já sentiu na pele algum tipo de discriminação. A jovem escritora, que lançou há cerca de três anos um livro sobre a sua história de vida, “Ao Nascer de Uma Papoila”, revelou que sempre se sentiu integrada, mas reconhece que há muito preconceito e que os dias em que se fala no assunto deviam ser mais frequentes.

“Há que mostrar que as pessoas são válidas, independentemente da sua condição física”, diz-nos, rematando com entusiasmo que “muitas vezes as pessoas com deficiências são mais preciosas do que muita gente dita normal”.

Isaura foi à escola, trabalhou, tirou a carta de condução. Aos 24 anos a sua condição mudou porque teve problemas graves de epilepsia que a obrigaram a reformar-se e a deixar de conduzir. Mas a nova condição não a fez resignar-se. O que gosta mesmo é de estar ocupada, seja na pintura, no voluntariado ou na escrita.

O livro “Natal em Palavras” é apresentado a 15 de Dezembro, em Lisboa. Isaura Matos ainda não sabe se vai, mas confessa que gostaria de conhecer pessoalmente as pessoas da editora com quem trabalha há três anos “à distância”.

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