Sociedade | 19-04-2019 12:30

Politécnico de Santarém perde cursos importantes por falta de currículo dos professores

Politécnico de Santarém perde cursos importantes por falta de currículo dos professores

ESGTS não tem um corpo docente devidamente habilitado na área do Marketing.

A licenciatura em Marketing e Publicidade da Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém (ESGTS) não cumpre com a exigência de ter pelo menos metade dos docentes com o grau de doutor ou de especialista nas áreas fundamentais do ciclo de estudos, neste caso concreto em Marketing. Um cenário ditado por “circunstâncias excepcionais”, segundo a presidência do Instituto Politécnico de Santarém (IPS), e que ditou a não acreditação dessa licenciatura no próximo ano lectivo.

Em resposta às questões colocadas por O MIRANTE - chegada já após o fecho da edição semanal de 11 de Abril, em que o nosso jornal voltou ao assunto -, a presidência do IPS, liderada por José Mira Potes, refere que a não acreditação do curso por parte da A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior) foi uma decisão correcta no plano formal, mas superável pela escola no curto prazo”. E considera ainda que esse revés não põe em causa a sua confiança na direcção da Escola de Gestão e no coordenador do curso de Marketing, afirmando que “têm condições para continuar nos respectivos cargos depois deste caso”.

O IPS reforça mesmo a sua posição dizendo que “as circunstâncias absolutamente excepcionais que determinam este caso e as suas consequências, só por manifesta má-fé podem ser atribuídas às intervenções das pessoas em causa”. As circunstâncias excepcionais que estiveram na origem dessa situação, segundo o IPS, “referem-se apenas à circunstância de alguns docentes com contributo habitual na leccionação desse curso não o terem podido fazer por ausência prolongada, seja por motivos disciplinares ou por situação de doença”.

O Politécnico de Santarém refere ainda que houve uma alteração dos critérios quanto à avaliação que a entidade externa faz do perfil de cada docente e do seu contributo para o cálculo do rácio exigível em cada área, o que levou a que alguns docentes detentores do grau de doutor não fossem considerados para estes efeitos.

Professor pede novo processo disciplinar para director da escola
O desfecho negativo do processo de acreditação levou dois professores da licenciatura de Marketing – Fé de Pinho e Fernando Gaspar - a defenderem a demissão do director da ESGTS e do coordenador da licenciatura.

Entretanto, na passada semana, Fé de Pinho voltou à carga num mail enviado para a comunidade académica em que acusa o director da Escola de Gestão, Vítor Costa, de não ter diligenciado para que fosse apresentada pronúncia (contestação) ao relatório preliminar da agência de avaliação, que recomendava a não acreditação do mestrado em Marketing. E disse mesmo que “houve uma actuação deliberada da ESGTS/IPS para que o Mestrado em Marketing não fosse acreditado”, reivindicando que se instaure um processo disciplinar ao director da Escola de Gestão.

Recorde-se que o director da Escola de Gestão já foi alvo de um processo disciplinar por não se ter pronunciado num anterior processo de acreditação do mestrado em Marketing (Fé de Pinho era o coordenador do mestrado), tendo-lhe sido aplicada, pelo anterior presidente do IPS, a pena de 20 dias de suspensão, suspensa por um ano, pelo ilícito disciplinar de violação dos deveres de prossecução do interesse público e de zelo. Fé de Pinho e o ex-sub-director da escola também foram penalizados no âmbito desse processo disciplinar.

Vítor Costa não se pronunciou em concreto relativamente às questões sobre o assunto que lhe foram enviadas por
O MIRANTE no dia 29 de Março, mas nas considerações feitas em resposta ao nosso contacto referiu que “não há professores a pedir a demissão do director e do coordenador da licenciatura! Isso não é verdade! Há é um email de um professor - o habitual Prof. Fé de Pinho, a falar disso, assunto que será tratado em sede própria”.

Politécnico tenta pôr água na fervura

A presidência do Politécnico prefere pôr água na fervura e desvalorizar as críticas. “A resposta institucional a este desafio deve antes de mais mobilizar toda a comunidade académica, os seus docentes e estudantes, coisa que acontece de forma absolutamente generalizada, apesar da opinião a que dois docentes já nos habituam”, lê-se na resposta enviada a
O MIRANTE.

O IPS deixa ainda claro que não vai prescindir da licenciatura na área do Marketing e manifesta-se esperançado que se possa retomar essa oferta formativa já no ano lectivo 2020/2021, após novo processo de acreditação. Quanto ao mestrado em Marketing, refere-se que o mesmo “registou uma procura inconsistente” que levou a que não se realizassem edições nos dois últimos anos lectivos.

José Potes diz que não há incompatibilidades

Já quanto a uma alegada violação do regime de exclusividade por parte do presidente do IPS, José Mira Potes, situação alvo de uma denúncia anónima, o IPS diz que a mesma não tem qualquer fundamento. José Potes é efectivamente sócio de uma sociedade agro-pecuária e de uma empresa de agroturismo na zona de Évora mas não tem funções de gestor ou gerente em nenhuma delas, dada a incompatibilidade que teria com o cargo que exerce. “Não há qualquer situação de violação do regime de exclusividade que lhe seja imputável”, lê-se na resposta do IPS.

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