Sociedade | 18-05-2019 18:00

Passou fome para seguir o sonho de ser actriz

Passou fome para seguir o sonho de ser actriz
CULTURA

Sara Inês é natural de Torres Novas e reside em Santarém.

Sara Inês nasceu em Torres Novas onde viveu durante cinco anos. Desde cedo percebeu que o seu futuro passaria pelos palcos. Era ainda criança quando, pela primeira vez, entrou no Teatro Maria Vitória, em Lisboa, e disse para o irmão que um dia iria subir a esse palco como actriz. E conseguiu, anos mais tarde, embora não imaginasse que esse seria o episódio que, até agora, a iria marcar no sentido mais negativo.

Sara conseguiu um papel numa companhia que tinha em cena uma peça no Teatro Maria Vitória, no Parque Mayer. Tinha apenas 24 anos e estava sozinha em Lisboa. Diz que chegou a passar fome e a depender da ajuda de amigos para deslocar-se para ir trabalhar.

A companhia chegou a dever-lhe quatro salários. “Foi até agora a época mais difícil da minha vida. Estive quatro meses sem receber. Nessa altura passei fome e só conseguia ir trabalhar com o dinheiro que amigos me davam”, diz. Não queria preocupar a família que, na altura, passava também por alguns problemas financeiros. Mas, acima de tudo, estava em negação. Queria à força seguir esse sonho. Apesar das dificuldades cumpriu o contrato até ao fim. “Vivi do ar, como se costuma dizer, mas aprendi com isso”, conta Sara Inês a O MIRANTE.

Aos 30 anos, feitos no mês de Março, Sara reside em casa dos pais. Já passou pela moda, fez vários desfiles e trabalhos publicitários, viveu em Cascais, Ponte de Sôr, Cartaxo, Setúbal e, actualmente, os pais voltaram ao Ribatejo, concretamente a Santarém, onde se sentem realmente em casa. E Sara acompanhou-os. “É impossível viver sozinha e assumir despesas com esta profissão”, diz Sara, acrescentando: “Claro que ouço muita gente a criticar que com 30 anos ainda estou em casa dos meus pais, mas sou muito chegada à família e não me faz sentido estar cada um para seu lado”.

“Gostava de ver o que tem por baixo desse vestido”

Os mundos da moda e da representação podem ser aliciantes mas têm alguns perigos. E acaba por ser um meio propício à existência de assédio sexual. Sara confrontou-se com essa realidade. Tinha participado num casting para uma personagem numa telenovela da TVI e foi chamada para desempenhar um papel com algum protagonismo.

“Estava muito entusiasmada para fazer esse papel. Um dia recebo uma mensagem no telemóvel do realizador da telenovela a dizer: ‘Gostava de ver o que tem por baixo desse vestido’. Fiquei em choque. Disse-lhe apenas para ter respeito e lixei-me. Fiquei sem o trabalho. Sem me darem grande justificação disseram apenas que tinha havido alterações no meu papel”, revelou a jovem.

Sara passou por alguns trabalhos de menor protagonismo, mas o sonho começa a ganhar forma. Neste momento integra o elenco da peça “Volta a Portugal em Revista”, uma revista à portuguesa da produtora Sonho em Cena. A peça passou recentemente por Almeirim e, tal como o nome indica, vai percorrer vários palcos do país, com espectáculos agendados até 2020.

Sara divide o palco com nomes bem conhecidos como António Calvário, Natalina José, Isabel Damatta, Ricardo Miguel, Gonçalo Brandão e Raquel Caneca. “É sempre especial subir a um palco, mas claro que há mais adrenalina quando é um palco da minha região”. A par deste projecto, Sara está a participar nas gravações da telenovela da TVI “A Prisioneira”.

Estado da cultura em Santarém não é entusiasmante

É em Santarém que Sara Inês se sente verdadeiramente em casa e prefere percorrer quilómetros e chegar mais tarde, só para poder dormir em casa, do que ficar em hotéis.

Sobre o estado da cultura na cidade de Santarém Sara é taxativa: “Não vejo nada de entusiasmante. Aquilo que enche a sala do Teatro Sá da Bandeira são os nomes sonantes e nem sempre é aí que se encontra a qualidade, mas infelizmente é disso que as pessoas gostam”.

O Veto Teatro Oficina é o grupo de teatro de Santarém que conhece e aprecia. “Já assisti a alguns espectáculos e são muito bons. Tanto nos temas que escolhem para trabalhar como ao nível de actores. Talvez não façam mais pelo mesmo motivo de sempre: a falta de apoios financeiros”.

Sara tem ainda delineado um objectivo: tirar um curso de representação no Brasil. Apesar de ter tirado cursos técnicos em áreas como assistente dentária e farmácia, pouco tempo exerceu nessas áreas. Chegou a trabalhar numa parafarmácia no Carregado mas foi por pouco tempo. O amor pela representação falou sempre mais alto. E continua a falar. Apesar de tudo o que há de errado nessa área a jovem diz que desistir não faz parte dos seus planos e o objectivo é chegar ao cinema. “Vi muita gente a desistir em momentos que me mantive de pé. Se nunca desisti não vai ser agora”, remata.

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