Sociedade | 21-05-2019 07:00

Os cancros de pele de quem trabalhou ao sol e os de quem trabalha para o bronze

Os cancros de pele de quem trabalhou ao sol e os de quem trabalha para o bronze
SAÚDE

Aos mais velhos só restam os tratamentos mas os mais jovens podem proteger-se mais.

João Aranha é médico dermatologista na Ribaclínica na Chamusca, uma região onde predomina a agricultura. Os seus pacientes da faixa etária acima dos 65 anos são pessoas que trabalharam no campo. Entre eles, nomeadamente entre os mais idosos, predominam os casos de cancro de pele e de lesões pré-cancerosas. Abaixo dessa idade, nas pessoas com as mais diversas profissões e com a média de idades a rondar os 45 anos prevalecem as doenças inflamatórias e os tumores benignos.

Entre os diferentes cancros de pele, os mais frequentes na região, a par do resto do país, são os carcinomas basocelulares, que são também os menos graves. No entanto, nas últimas décadas, têm vindo a aumentar os melanomas. Trata-se de um tipo de cancro mais agressivo, que era muito raro há 50 anos e que agora é muito frequente atingindo não só os mais idosos como também alguma população jovem.

Segundo o dermatologista, a incidência destes tumores tem relação com os hábitos de exposição solar. Quer com a exposição crónica quer com os chamados ‘escaldões’, e esse é o factor onde se pode actuar preventivamente. “Em alguns casos há predisposição hereditária, incluindo o tipo de pele, a relação com outros problemas de saúde e o consumo de medicamentos imunossupressores. Há ainda factores que não se conhecem e que estão a ser investigados”, explica.

João Aranha lembra que os cuidados com a pele variam com a idade, o sexo, o estilo de vida, o tom de pele e a reacção de cada um ao sol (chamado “fotótipo”). Segundo o clínico, em idades mais jovens há muito mais a ganhar com a prevenção, embora haja cuidados genéricos que trazem benefícios em qualquer idade, tanto para a saúde como para o aspecto da pele, como proteger-se da exposição solar excessiva (com vestuário, chapéu, protector solar, evitar exposição às horas de maior calor), hidratar a pele, ter uma alimentação equilibrada, beber água, dormir bem e não fumar.

E como reagem os doentes a quem é diagnosticado um cancro de pele? “Reagem com apreensão e alguma ansiedade, como é natural mas há muito cancro da pele que é curável. Mesmo quando isso não é possível, há sempre algo que se pode fazer. É isso que transmito aos doentes e que, em geral, atenua a angústia da notícia”, afirma o clínico.

Como detectar um cancro da pele

Os sinais na pele exigem muita atenção. Se crescem, mudam de cor ou começam a doer está na altura de consultar um dermatologista. Os especialistas aconselham um auto-exame de dois em dois meses onde se pode utilizar a regra ABCDE como forma fácil de distinguir sinais saudáveis de melanoma. O A é de assimetria, quando metade do sinal é diferente da outra metade; o B está para Bordo irregular, quando as extremidades do sinal são irregulares e sem padrão; C está para Cor, quando a cor do sinal não é uniforme; o D significa diâmetro, um sinal maior que cinco milímetros pode indiciar um melanoma, embora possam ser de tamanho inferior; o E está para evolução, se o sinal tem evoluído no tempo, em tamanho, é um ‘sinal’ de alerta.

Dados do melanoma

Os cancros de pele representam o cancro humano mais frequente. Actualmente estima-se que em Portugal a incidência do Melanoma (o tipo mais agressivo de cancro de pele) seja de dez novos casos por 100.000 habitantes, por ano, o que significa cerca de 1000 novos casos, por ano.

Quanto aos carcinomas basocelular (o mais comum e o menos perigoso) e espinocelular (o segundo cancro de pele mais comum) contabilizam-se mais de 100 novos casos por 100.000 habitantes, o que representa mais de 10.000 novos casos por ano.

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