Sociedade | 12-06-2019 07:00

Começou a trabalhar aos dez anos como aprendiz e sem salário

Começou a trabalhar aos dez anos como aprendiz e sem salário

Após fazer a antiga quarta classe acabou-se a escola para José Sousa.

J osé Sousa concluiu a antiga quarta classe e como os seus pais não tinham possibilidades financeiras para que continuasse a estudar começou a trabalhar com 10 anos. Com essa idade arranjou emprego na antiga Base de Escola de Tropas Paraquedistas de Tancos, concelho de Vila Nova da Barquinha. Foi para lá aprender o ofício de electricista mas fazia tudo o que fosse preciso e depressa se tornou um trabalhador de confiança para os militares. Ainda trabalhou três meses sem ganhar salário, até que começou a receber 50 escudos por mês. Esteve na Base de Escolas de Tropas Paraquedistas em Tancos durante mais de três décadas e confessa que sente aquela casa como sua.

Quando chegou a altura de ir para a tropa recebeu uma carta a informá-lo que teria que assentar praça em Leiria. Quando os seus superiores tiveram conhecimento perguntaram-lhe porque é que não tinha escolhido fazer a recruta nos paraquedistas. José Sousa confessou que aquilo era muito duro para ele. Ainda fez a formatura em Leiria mas os seus superiores levaram-no para Tancos e conseguiu safar-se de uma tropa mais dura. “Eles gostavam do meu trabalho e naquela altura não havia ninguém para me substituir. Safei-me à tropa porque andava vestido à civil, a trabalhar, e ninguém sabia se eu era soldado ou não”, conta com um sorriso.

José Sousa nasceu no lugar de Matos, perto da localidade de Limeiras, no concelho de Vila Nova da Barquinha, há 69 anos. Foi viver para Madeiras, no mesmo concelho, quando casou, há quase 45 anos. O pai comprou um terreno nessa localidade, onde José e o seu irmão começaram a fazer biscates do que ia aparecendo. Eram serralheiros, electricistas, pedreiros, tudo o que aparecesse. Entretanto, também começaram a trabalhar com o frio, que era uma das suas especialidades nos paraquedistas.

Começaram a vender electrodomésticos, ar condicionado e instalação de bombas nos furos. Não recusavam trabalho. “Havia alturas em que via os meus filhos muito poucas vezes porque saía do trabalho nos paraquedistas, ia fazer entregas e chegava a casa já tarde. Mas fazia questão de lhes dar um beijo de boa noite e de estar com eles de manhã antes de irem para a escola. A minha esposa dizia, em tom de brincadeira, que as crianças qualquer dia nem sabiam que tinham pai”, recorda.

Foi quando um cliente de Moreiras Grandes, Alcanena, que tinha ouvido falar no bom trabalho dos irmãos Sousa, lhes pediu para reparar um frigorífico que começaram a pensar em criar uma empresa. “O senhor já tinha ido a vários locais mas ninguém lhe tinha conseguido consertar o frigorífico e nós conseguimos. O equipamento tinha um defeito de fabrico que resolvemos. Ele alertou-nos para o facto de trabalharmos num barracão, que podia ser perigoso. Nesse dia, resolvemos profissionalizar-nos”, recorda.

Construíram uma casa de raiz, onde hoje funcionam as instalações e escritório da Sousa Eléctrica Construções. Já lá vão 30 anos. A empresa foi crescendo e hoje dedica-se também à construção. É uma empresa familiar com clientes um pouco por todo o país.

Centro de Bem-Estar Social de Madeiras quer construir lar de idosos

O empresário reformou-se dos Paraquedistas em 1993 e nesse ano foi convidado para presidir ao Centro de Bem-Estar Social de Madeiras. Já tinha sido desafiado noutras alturas mas o excesso de trabalho e a vida familiar não lhe permitiram aceitar. Com mais tempo livre fez vários mandatos como presidente. Apenas não esteve na presidência durante dois mandatos. Quando chegou mandou fazer um projecto e aproveitou uma candidatura a fundos comunitários para construir uma nova sede para a instituição.

Tiveram um Centro de Dia a funcionar, em parceria com a câmara municipal e a Fundação Dr. Francisco Cruz, mas actualmente o espaço está fechado. Têm um projecto aprovado para construir um lar de idosos, centro de dia e apoio domiciliário. Acredita que o edifício pode estar a funcionar dentro de um ano. “O objectivo é que este novo equipamento venha dar outra dinâmica à terra que precisa de espaços para os mais velhos”, refere.

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