Entrevista | 05-06-2019 12:30

Um treinador de trampolins habituado a saltar de país em país

Um treinador de trampolins habituado a saltar de país em país
GINÁSTICA

Sérgio Lucas foi campeão europeu de trampolins com a ginasta tomarense Ana Rente e hoje é treinador da Federação Suíça.

Sérgio Lucas começou a praticar ginástica aos seis anos na União Desportiva da Chamusca. Quando esta actividade terminou passou a praticar basquetebol no mesmo clube, embora nunca tenha esquecido a paixão pela ginástica e pelos trampolins. Em 1989 recomeçou a praticar trampolins com o treinador de Santarém Vítor Varejão. Enquanto atleta, destaca o título de campeão nacional por equipas em duplo-mini trampolim. A paixão pelo desporto levou Sérgio Lucas a licenciar-se em Educação Física, vertente de ensino. Em paralelo, continuava a treinar trampolins. Foi no Futebol Clube Goleganense que se iniciou como treinador.

“Quando terminei o ensino secundário o meu treinador, Vítor Varejão, disse-me que quando terminasse o ensino superior ele passaria as classes de competição dos clubes que ele treinava para a minha responsabilidade. E foi o que aconteceu. Em 1996, quando terminei a minha licenciatura, comecei a treinar na União Desportiva da Chamusca e no Futebol Clube Goleganense. O Vítor Varejão foi muito importante porque foi com ele que comecei a treinar trampolins”, conta a O MIRANTE.

Sérgio Lucas nasceu na Chamusca mas em 1999 mudou a sua residência para Vila Nova da Barquinha. O seu salto enquanto treinador aconteceu quando, precisamente nesse ano, começou a trabalhar na Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, em Tomar. Foi nesse clube que Sérgio Lucas conquistou os melhores resultados da sua carreira de treinador. “Conquistei alguns títulos internacionais, dos quais tenho de destacar o título de campeã da Europa de juniores alcançado pela ginasta Ana Rente”, recorda.

O treinador, de 45 anos, vive há cerca de cinco anos na cidade de Troistaurrents, perto de Lausanne, na Suíça, onde é treinador na Federação Suíça de Ginástica. Começou como treinador de um centro regional, na Association Cantonal Vaudoise de Gymnastique. Em 2017 concorreu ao cargo de treinador nacional, que desempenha desde Setembro de 2017. Antes disso, passou pela Austrália e pelo Egipto.

Considera que no Egipto viveu a maior experiência enquanto treinador. Foi para lá ajudar a preparar os Jogos Olímpicos da Juventude, onde conquistaram os melhores resultados de sempre nos campeonatos africanos. Sérgio Lucas decidiu emigrar sobretudo pela possibilidade de conhecer novas culturas e mentalidades. “Evoluímos como pessoas, aprofundamos o nosso conhecimento geral e enriquecemos culturalmente. Aqui treino a tempo inteiro, o que seria muito difícil de fazer em Portugal”, explica.

O seu dia-a-dia é passado a treinar e a visitar centros de treino. Participa nas planificações, estágios, competições nacionais e internacionais. A principal dificuldade que encontrou quando chegou à Suíça foi fazer planificação a longo prazo. “Por exemplo, o calendário de 2020 já está organizado, embora ainda estejamos no primeiro semestre de 2019”, sublinha. O treinador refere que o ritmo de vida na Suíça é diferente do de Portugal. O dia começa mais cedo e termina mais cedo. O facto de existirem quatro línguas oficiais dificulta um pouco a adaptação.

Há mais civismo na Suíça do que em Portugal

Sérgio Lucas não descarta a hipótese de regressar a Portugal mas não a curto prazo. Antes disso, gostava de tentar uma nova aventura noutro país. No entanto, as saudades dos amigos e da família nem sempre são fáceis de gerir. Visita Portugal pelo menos uma vez por ano e costuma participar num torneio internacional de trampolins em Santarém, o Scalabis Cup. Tomar e Chamusca estão entre as localidades onde faz questão de regressar e passa alguns dias no Algarve, para desfrutar do sol. Acompanha o que vai acontecendo no seu país natal através da internet mas não de forma regular. Fá-lo quando tem tempo para isso.

Diz que na Suíça tem mais tempo para si e para estar com o filho, de 14 anos. O chocolate, os queijos e as paisagens são o que aquele país tem de melhor. “O ski também é muito popular e é uma actividade que nos permite usufruir do Inverno”, diz. As cidades limpas é o que destaca da maneira cívica como vivem os suíços. “Quando vivia em Portugal não me apercebia muito mas desde que vivo na Suíça percebo que em Portugal não existe tanto civismo, sobretudo em relação à limpeza das ruas. Aqui também se aposta muito na reciclagem”, destaca.

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