Entrevista | 26-06-2019 19:00

“Podemos ter edifícios muito bons mas são as pessoas que fazem a diferença”

“Podemos ter edifícios muito bons mas são as pessoas que fazem a diferença”
TRÊS DIMENSÕES

Maria do Céu Canhão, 51 anos, directora executiva do ACES Estuário do Tejo.

Há três anos que Maria do Céu da Cruz Canhão é directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo, com sede em Alverca do Ribatejo. Vive na Póvoa de Santa Iria mas aos fins-de-semana gosta de ir à sua terra natal, Évora. Mestre em Psicologia do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Évora, começou a trabalhar aos 18 anos no secretariado e apoio ao Conselho de Administração do Hospital do Espírito Santo em Évora e todo o seu percurso profissional foi feito na área da saúde.

Gosto de um bom jantar em família ou com amigos. E de um bom vinho alentejano. Há coisas boas para lá do trabalho. Acho que é o sonho que nos move. É bom que tenhamos sempre uma viagem de sonho em mente. A minha primeira viagem foi aos Açores e adorei. Já fui ao Brasil e à China. Mas escolhi sempre lugares ligados à natureza porque não gosto muito de cidades.

Ter sido mãe de dois rapazes foi muito especial. Essa é outra viagem que fazemos na vida. Ser mãe é experienciar o maior amor que pode haver numa relação. Essa é uma viagem de sonho que se vai fazendo todos os dias.

Infelizmente as pessoas concentram-se muito no que funciona mal. Muita coisa tem mudado para melhor nos centros de saúde nos últimos anos. Simplesmente é mais fácil falarmos do que está mal. Claro que há sempre coisas a melhorar, senão não fazia sentido existir a figura do director executivo.

Temos de mudar de paradigma. Somos centros de saúde, não somos centros de doença. Mas continuamos focados nas doenças. Temos de focar-nos na saúde porque apenas 30 por cento dos serviços prestados no Serviço Nacional de Saúde contribuem para a saúde dos portugueses. Isto quer dizer-nos alguma coisa, de que temos de trabalhar noutro sentido para que uma maior percentagem dos nossos serviços possa continuar a contribuir para a saúde dos utentes.

Casei e tive filhos muito cedo e só depois é que investi na minha formação académica. Sempre estive ligada à saúde. Iniciei funções no Hospital do Espírito Santo em Évora, com 18 anos. Tudo é mais fácil quando fazemos algo de que gostamos mas esta área é difícil, apesar de gratificante. Gosto de desafios. Escusam de me convidar para o que é fácil.

Trabalhamos muito sobre a doença mas precisamos de trabalhar cada vez mais na promoção da saúde. Esse é o grande desafio nos cuidados de saúde primários. Há muito a fazer todos os dias. Sempre achei que poderia dar o meu contributo porque tenho uma visão muito alargada sobre as coisas. Sinto-me flexível e acompanho as mudanças e isso é importante.
Podemos ter edifícios e equipamentos muito bons mas são as pessoas que fazem a diferença. E precisamos de equipas motivadas e a trabalhar bem entre si. Sou directora executiva do Agrupamento há três anos e tem sido uma boa experiência.

Não conhecia o Ribatejo nem Alverca antes de vir para cá e lembro-me que me perdi imensas vezes. Vim encontrar uma realidade diferente da que imaginava. Pensei que, por estar tão perto de Lisboa esta seria uma zona sem falta de médicos, por exemplo, mas afinal não era nada disso.

Um dos meus primeiros desafios foi perceber porque é que os médicos não queriam vir para cá. Tentei promover este agrupamento e o que temos de bom. Fizemos um bom trabalho que já deu resultados nos últimos dois concursos. Há dois anos que temos muitas vagas e elas têm sido ocupadas.
Sou uma pessoa do campo. Gosto de trabalhar em Alverca e desde que vim para cá que me sinto como pertencente a esta comunidade. Mas gosto muito de voltar ao Alentejo aos fins de semana, andar de bicicleta no campo e desfrutar do ar livre. A natureza é o que mais alento me dá e o que me reconforta.

Gosto muito de trabalhar e de ter responsabilidades. Uma coisa que me provoca desconforto é a maior parte das pessoas achar que nada depende delas. Pessoas que consideram que está tudo dependente dos que estão acima delas, sejam ministros ou directores.

Irrita-me ouvir alguém dizer que sempre fez as coisas da mesma maneira. Pessoas que não querem olhar para os problemas de outra forma. As mentes fechadas irritam-me. Há pessoas que oferecem muita resistência à mudança. Não conseguem aceitar o trabalho em equipa. Aceitar que trabalham em equipa. Para mim tão importante é um médico como um enfermeiro, um assistente técnico ou um operacional, somos todos uma equipa e importantes para dar uma boa resposta aos utentes. Também não gosto de falta de sinceridade e da falta de compromisso.

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