Finanças esclarecem que imóveis vendidos pelo Estado superaram em 21,9% o valor base
O Ministério esclareceu ainda que "dos oito imóveis referidos na notícia apenas foram vendidos dois".
O Ministério das Finanças esclareceu hoje que os imóveis do Estado vendidos recentemente em hasta pública superaram o valor máximo fixado pelas avaliações externas "em cerca de 21,9% face ao valor-base inicial".
O Público noticiou hoje que o Estado vendeu abaixo do preço de mercado imóveis que podiam ter centenas de casas públicas.
Segundo o jornal, em conjunto, oito imóveis em Lisboa deixados vazios após a concentração do Governo num só espaço, já vendidos ou que irão a leilão ainda este ano, poderiam albergar cerca de 450 casas públicas.
Num esclarecimento enviado às redações, o Ministério das Finanças rejeita que os imóveis em causa tenham sido vendidos abaixo do valor de mercado, informando que foram objeto de "duas avaliações externas, conduzidas por entidades autónomas, independentes e idóneas, que fixaram o valor mínimo e máximo a alienar de cada imóvel, sendo que o critério de seleção do valor base de alienação dos imóveis foi o do valor máximo".
"Esse valor máximo fixado foi inequivocamente superado, em todos os imóveis alienados na Hasta Pública n.º1/2026, em cerca de 21,9% face ao valor-base inicial", acrescentou o comunicado.
O Ministério das Finanças referiu que o imóvel situado na Avenida Visconde de Valmor, em Lisboa, foi alienado por 15.276.900 euros, quando o valor-base era de 13.026.900 euros.
Já o imóvel situado na Rua Filipe Folque, também em Lisboa, o valor base era de 4.122.500 euros e foi vendido por 5.213.754 euros.
O Ministério esclareceu ainda que "dos oito imóveis referidos na notícia apenas foram vendidos dois".
A notícia do Público cita especialistas que "questionam os preços de venda dos dois edifícios já levados a leilão, que ficaram muito abaixo dos valores de mercado, contrastando com o que o Estado paga quando compra casas no mercado privado para integrá-las no parque habitacional público".
O jornal sustenta que, tendo em conta "as áreas brutas privativas dos dois edifícios vendidos e o valor arrecadado em leilão, o prédio da Avenida Visconde Valmor foi alienado por 3.284 euros por metro quadro, enquanto o da Rua Filipe Folque ficou por 3.072 euros por metro quadrado", quando o valor mediano das casas apurado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) foi de 5.366 euros por metro quadrado na Avenida Visconde Valmor, e de 6.104 euros por metro quadrado na Rua Filipe Folque.


