Opinião | 17-04-2019 10:00

Samantha Fox no meio das vacas

Samantha Fox no meio das vacas
OPINIÃO

Emails do Outro Mundo

Formidável Manuel Serra d’Aire
Não sei se te recordas de uma moçoila inglesa que cantava nos anos 80 e que era muito querida entre os adolescentes, sobretudo pelos seus dotes peitorais, chamada Samantha Fox. Eu lembro-me bem dela e de uma música que se chamava Touch Me, que era uma espécie de hino libidinoso que punha a testosterona da malta em polvorosa nas discotecas. Pois acontece que a dita Samantha, hoje uma cota platinada, ainda canta - embora desconfie, com pesar, que já não tenha os mesmos atributos físicos que a celebrizaram – e vem actuar no encerramento da próxima Feira Nacional de Agricultura em Santarém.
É óbvia a tentação de muita gente para associar perfidamente a cantora britânica a alguma das espécies animais que vão estar em exposição na feira. E um site na Internet até chegou a anunciar o espectáculo com o título “Samantha Fox no meio das vacas de Santarém”, o que não deixa de ser uma múltipla desconsideração: em primeiro lugar para as vacas, que obviamente não devem gostar de ser relegadas para segundo plano numa feira agro-pecuária onde deveriam ser estrelas maiores; e em segundo lugar para a boa da Samantha, que prefere certamente estar no meio de companhias mais atractivas, polidas e bem cheirosas do que propriamente gado vacum, digo eu…
Corrosivo Manel tenho andado atarefado a pesquisar a minha árvore geneológica (as minhas avós e bisavós foram grandes parideiras) para saber se tenho parentesco, ainda que muito afastado, com gente importante deste país. Gente que pode arranjar um lugarzinho ao sol num daqueles lugares que não se sabe muito bem para que servem, em que se ganha bem e não nos consumimos muito. Até à data a minha busca tem sido improfícua, embora haja a destacar a descoberta de um penta avô italiano que eventualmente me poderia abrir as portas para uma carreira na Camorra ou na Cosa Nostra (o Vaticano não, que é um sítio perigoso), caso estivesse interessado em armar-me em capacho de um qualquer Don Corleone. E, decididamente, não estou!
O que queria mesmo era um lugarzinho de assessoria num qualquer esconso departamento da administração pública onde ninguém desse pela minha insignificante presença e em que me pudesse baldar à vontade sem ter problemas de consciência (porque os meus serviços não tinham qualquer utilidade) nem chefes a morder-me as canelas.
Neste momento deves estar a pensar que eu sou um eterno ingénuo e que trabalhos desses não existem, porque senão não se chamariam trabalhos mas sim paraíso na terra ou outra coisa qualquer mais bem sonante. Mas eu garanto-te que existem e tenho várias provas disso, com fotografias e tudo. Tenho o privilégio de conhecer alguns dos afortunados que não imaginam a sorte que têm e que, à boa maneira portuguesa, se for preciso, ainda se lamentam da sua imensa desdita e do tempo que roubam à família em prol do interesse público. Um dia destes peço-lhes um autógrafo!
Aceita uma despedida à francesa do
Serafim das Neves

PS: E tem cuidado com as amêndoas, pois dão cabo dos dentes. É por isso que eu, na Páscoa, prefiro cabrito...

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