Opinião | 16-05-2019 10:00

Última Página: As lideranças políticas e o exemplo que vem de baixo

Por mim estou satisfeito com a evolução da democracia; tal como já escreveu, e continua a escrever, a Procuradora Maria José Morgado, há duas décadas o que aconteceu a Armando Vara era impensável.

Escrever num jornal é muito mais que escrever opiniões. Os tipos que têm um espaço para escrever, como eu tenho, podem prestar um mau serviço à comunidade se não fizerem mais nada que dar ao dedo na onda do que está na moda criticar.

Dou um exemplo; a corrupção na política que tem minado a democracia em todo o mundo. Este último exemplo com José Berardo é de bradar aos céus; mas o caminho está a fazer-se. Por mim estou satisfeito com a evolução da democracia; tal como já escreveu, e continua a escrever, a Procuradora Maria José Morgado, há duas décadas o que aconteceu a Armando Vara era impensável. E o mesmo a José Sócrates, só para citar dois exemplos; mas há mais casos e muito significativos: há duas décadas nem que a burra tossisse Ricardo Salgado caía do pedestal. E caiu com grande estrondo. E estamos todos a pagar a ousadia do ataque aos crimes económicos mas fica o exemplo que há-de dar frutos.

Portugal tem vindo, pouco a pouco, a cimentar as suas instituições e o seu regime democrático. Há muito por fazer, todos sabemos, mas a missão é de todos, e os principais deputados do regime são as pessoas que todos os dias exercem os seus direitos de cidadania. Pedro Passos Coelho e António Costa, os dois últimos chefes de Governo, são figuras que inspiram pela sua força política, carácter e capacidade de liderança. Mas a nível político e partidário eles não são o exemplo para uma ralé que domina nas lideranças locais e regionais. Basta tomar como exemplo o distrito de Santarém onde as figuras de proa dos partidos políticos são pessoas pouco comprometidas com o serviço público e os interesses da comunidade. Culpa nossa, como é evidente, que não reivindicamos e nos demitimos do dever de criticar ou colaborar e entregamos o poder a quem faz da política profissão e negócio.

Quem se der ao trabalho de ler as mensagens trocadas entre governantes e responsáveis da GALP, que andaram a oferecer bilhetes para os jogos de futebol do mundial de França, percebe como a democracia portuguesa ainda é uma criança, precisa da vigilância cívica de todos os portugas que sabem festejar a vitória da selecção portuguesa mas, também, sabem rir-se do selecionador, que diz que recebeu a certa altura do campeonato uma mensagem de Nossa Senhora de Fátima. Como se os deuses tivessem alguma coisa a ver com os resultados dos jogos dentro do campo e a justeza dos resultados finais.

Dizer que o país é uma merda por causa do que aconteceu e está a acontecer com José Berardo é justo. Mas não pode ser essa a nossa postura. Berardo acabou de chamar azêmolas aos políticos da geração de José Sócrates que entregaram o país aos especuladores, e acharam que o efeito Berlusconi em Itália era possível em Portugal, para serem, também eles, donos disto tudo. Enganaram-se e vão pagar caro, se não acontecerem reviravoltas nesta evolução conturbada da democracia e do sistema judicial. JAE

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