Opinião | 21-05-2019 20:00

O revolucionário bem educadinho!

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OPINIÃO

Emails do Outro Mundo

Robusto Serafim das Neves

O ex-presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Caldas, que tão hilariantes contributos deu para esta nossa troca de e-mails do outro mundo, está de regresso e teve uma entrada pela porta grande ao apresentar uma lista dos melhores municípios portugueses que deve ter deixado de boca aberta presidentes de câmara como os de Constância, Barquinha ou Entroncamento, que nem em sonhos tinham imaginado que estavam nos cinco primeiros lugares.

O brilhante estudo, que até levou o nome estrangeiro de “rating”, foi feito com uma bolsa do governo australiano, tendo Paulo Caldas trabalhado afincadamente num centro de pós graduações e mestrados de Nova Inglaterra, numa zona campestre do sul daquele país, que é especializado em genética animal, desenvolvimento rural e agricultura. Talvez por isso os resultados obtidos tiveram o impacto dos conhecidos fenómenos vegetais do Entroncamento, tipo abóboras de duzentos quilos e nabos de três arrobas.

Para dar um toque nacional à fabulástica lista dos municípios, Paulo Caldas, borrifou-o com uns pozinhos do nosso saber nacional, dizendo, por exemplo, que tinha tido a colaboração da associação de municípios e da direcção geral das autarquias. Não era verdade mas dali não vinha mal nenhum ao mundo e ele só o fez, creio eu, por genuíno patriotismo. Infelizmente o seu generoso gesto não foi compreendido.

Em vez de se calarem e agradecerem a mega publicidade que aquilo teve nas televisões, jornais, rádios e redes sociais, aquelas ingratas organizações ficaram enxofradas e exigiram que o seu nome fosse retirado da lista. Pobres e mal agradecidos, dirás tu e com razão. Cabeças de atum, dirá, muito provavelmente, o director do departamento de genética animal da escola rural australiana de Nova Inglaterra, que acolheu Paulo Caldas de braços abertos.
No Entroncamento vai haver uma nova empresa na zona industrial. Trata-se de uma danceteria e merece destaque. A aprovação da instalação fica a dever-se à maioria socialista que governa o município que, não por acaso, tem na lista Paulo Caldas. Os vereadores da oposição votaram contra porque não conseguem perceber que uma danceteria é como uma fábrica, uma carpintaria, um armazém de materiais de construção ou uma oficina de reparação de automóveis.

Não sei se o Quim Barreiros tem alguma cantiga sobre a importância das dancetarias para a produção nacional mas se não tem devia ter. Pelo sim, pelo não, até lhe deixo aqui uns versos. “Lá na zona industrial/Há uma dancetaria/Vão lá homens e mulheres/Aquilo é uma alegria/Há material de qualidade/Mesmo em segunda mão/A economia cresce, cresce/Ó que grande animação”. O que achas?

Soube que aqui há dias o vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Abrantes, Armindo Silveira, deu um murro na mesa de reuniões do executivo municipal por causa de um concerto dos UHF, na noite de 24 para 25 de Abril, se ter realizado em S. Facundo e não na cidade. Por causa do buummm que aquilo fez na calmaria da sessão, gerou-se um chinfrim de tal ordem que, mesmo depois de ter pedido desculpa, o bloquista do murro, continuou a ser martirizado com críticas.

Silveira poderia ter dito que estava a treinar para ser baterista dos UHF, ou então que estava a tentar imitar o som do morteiro final, dos tempos em que a revolução de Abril era saudada com longos minutos de pirotecnia. Não o fez e isso é de elogiar mas escusava de pedir desculpa. Como se costuma dizer, não foi para pedir desculpa que se fez o 25 de Abril.

O vereador esmurrador não partiu a mesa nem rebentou os tímpanos a ninguém. Receio que a seguir às desculpas ainda queiram que ele se vá inscrever num curso de boas maneiras e passe a levar chazinho com bolachinhas para o presidente da câmara nos dias de reunião. É que se isso acontecer ainda lhe mudam o nome de Silveira para cidreira.

Saudações viripotentes
Manuel Serra d’Aire

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