Opinião | 19-06-2019 10:00

“Agarrem-me... se não eu manifesto-me!

“Agarrem-me... se não eu manifesto-me!
OPINIÃO

Emails do outro mundo

Zabaneiro Serafim das Neves

A secretária de estado do desenvolvimento regional e ex-presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, não pára de ser chateada por jornalistas melgas que não desistem de lhe arrancar umas palavrinhas sobre o caso do empresário das barbas e dos burros, Jorge Ferreira Dias, que insiste em proclamar aos quatro ventos que está falido porque o município de Abrantes comprou a uma empresa um terreno que era seu.

Ela já disse que não tem nada a ver com o caso, uma vez que tudo começou no tempo do seu antecessor, Nelson Carvalho. E tem razão porque, como se sabe, ele era um sujeitinho autocrático que apenas a tinha nomeado vice-presidente para ela votar a favor do que ele decidia.

E se há quem duvida que dizer améns é a função dos vice-presidentes, basta ver que o actual presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, disse exactamente o mesmo quando a questão da falência do empresário lhe foi colocada. Segundo ele, o caso vinha do tempo da presidente Maria do Céu Albuquerque e nessa altura ele era apenas o vice-presidente. Lá está! Não sabia de nada e limitava-se a votar a favor da chefa, que era para isso que ela o tinha nomeado vice.

É pena que muita gente que não pesca nada de política nem de autarquias, se ponha a dar palpites e a fazer insinuações e acusações, ignorando por completo que quando um presidente de câmara cessa funções, tudo o que ele decidiu é para esquecer. Pelo menos o que ele decidiu mal, dado que era um desperdício esquecer todas as obras boas que foram feitas. Ponham a ex-presidente de Abrantes a falar sobre as suas obras de regime, como as esculturas em aço ferrugento nas rotundas, por exemplo e vão ver se ela se cala. É o calas!!!

Claro que em política há sempre fulanos altruístas e ingénuos que, após terem sido eleitos, em vez de começarem logo a concretizar as suas lindas promessas, passam anos e anos a pagar os calotes dos seus antecessores e a acabar obras que eles deixaram a meio mas é como digo, se o fazem é porque querem. De acordo com a lei Albuquerque/Valamatos, o que vem de trás não conta, sejam calotes, manigâncias ou burrices.

Sobre o caso do empresário falido, já muito foi dito e redito mas vale a pena destacar a postura enérgica, mobilizadora e pragmática do ex-assessor parlamentar do PS e criador da associação ânimo, António Colaço. Através do Facebook, Colaço sugeriu uma manifestação de solidariedade para com Jorge Ferreira Dias, às 14h30 de 11 de Junho, no largo da câmara.

No texto colocado a 6 de Junho, um minuto depois da meia noite, sentia-se o antigo fervor revolucionário do postador. “No Largo da Câmara, todos a exigir justiça e a manifestar solidariedade para com Jorge Ferreira Dias. (...) Basta de cobardia. Se a Justiça já falou quatro vezes, deixemos de ser soezes e exijamos que a Câmara Municipal de Abrantes se sente à mesa para repor o que estava antes. Mais do que demissões (que os próprios há muito deviam ter pedido) exijamos imediatas e justas decisões”.

A coisa não ficou por ali. Umas horas depois, lá pelas seis e meia da tarde, mais minuto, menos minuto, o postador Colaço voltou ao Facebook para arrefecer os ânimos e saiu-lhe uma declaração contra o iletrismo e os deturpadores.

“Sugerimos, desde a primeira hora, que os nossos leitores aparecessem no Largo da Câmara. Nada mais do que isto. Recusamos, por isso, de forma categórica, outras leituras e possíveis ‘aproveitamentos’.”.

Eu percebo o Colaço. E tu? Já agora, pelas minhas contas e pelas vezes que postou sobre o assunto, ele, em vez de seguir o seu próprio convite de ir ao largo da câmara dar um passeio e apanhar ar, deve ter abalado para Lisboa, a fim de almoçar na Associação 25 de Abril onde era orador o constitucionalista Jorge Miranda. Como dizia a canção dos Peste e Sida, “...vão vocês, vão vocês, vão vocês, vão vocês, vão vocês”.

Saudações iluminadas
Manuel Serra d’Aire

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