Opinião | 22-11-2021 15:00

Em Portugal os cursos de Medicina são só para marrões

Em Portugal os cursos de Medicina são só para marrões
Tomás Alcaravela~(foto DR)

Em Portugal só vai para Medicina quem tem mais de 19 valores. Como se cursar Medicina fosse um privilégio só para génios. Tomás Alcaravela é mais uma vítima de um país mal governado.

Portugal tem falta de médicos, um Serviço Nacional de Saúde sem clínicos suficientes e, por incrível que pareça, os estudantes que não acabam os cursos com notas altíssimas não conseguem entrar no curso de Medicina em Portugal. Desde há mais de uma década que uma das soluções é ir estudar para a República Checa. O caso do Tomás Alcaravela devia ser pretexto para questionar a política do Estado português. As universidades e os politécnicos andam, na sua grande maioria, a recrutar estudantes nos países de língua portuguesa para que as instituições sobrevivam à falta de alunos enquanto nos cursos mais importantes, como é o caso da Medicina, mandamos os nossos jovens para a República Checa, onde o preço das propinas é cinco vezes superior ao de Portugal. Entretanto os médicos e enfermeiros que são formados nas nossas universidades e politécnicos, acabam os cursos e pouco tempo depois estão a caminho de Inglaterra, Alemanha e outros países da Europa mais desenvolvida onde as condições de trabalho são mais atractivas.

A morte do jovem Tomás Alcaravela, que foi obrigado a emigrar para a República Checa para seguir o curso de Medicina, o mesmo ofício do seu pai e do seu avô, devia ser pretexto para lutarmos por um Estado que dá a todos os jovens as mesmas oportunidades de estudarem e viverem no seu país. Aumentar o número de estudantes nas universidades públicas é a solução; Não podemos continuar a ser um país governado por políticos inábeis, social-democratas que governam à Nicolás Maduro nuns casos e à Emmanuel Macron noutros, conforme está o vento ou são fortes as interferências dos capitalistas que dominam a nossa classe política que, às vezes, até mete nojo.

Amigos recordam Tomás Alcaravela: meigo, reservado e educado

Amigos de Tomás Alcaravela, jovem de Abrantes encontrado sem vida na República Checa, recordam-no como um rapaz doce, educado e, embora não fosse o típico aluno popular do liceu, tinha um sorriso contagiante e muito respeito por parte de alunos e professores. Alguns colegas revelam que gostava muito de répteis e que um dos seus passatempos favoritos era contemplar as estrelas.

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