Saúde | 17-06-2019 18:00

Atenção aos sinais de alarme

Atenção aos sinais de alarme
ESPECIAL SAÚDE

Vítor Paulo Martins - Médico Cardiologista e Arritmologista, Director Clínico da Clínica do Coração, Santarém

No mês do coração temos que reflectir sobre alguns pontos interessantes:

- A mortalidade cardiovascular continua a baixar em Portugal, sobretudo porque a hipertensão é hoje mais bem controlada levando a uma diminuição da incidência do acidente vascular cerebral (AVC). No entanto a mortalidade cardiovascular é ainda superior à soma da mortalidade das doenças cancerígenas e do aparelho respiratório.

- O enfarte agudo do miocárdio tem hoje um tratamento estandardizado através de uma rápida chegada a um Laboratório de Hemodinâmica para abrir uma artéria ocluída que no caso do Distrito de Santarém pela ausência desta estrutura, obriga a uma transferência para um Hospital de Lisboa com atraso de 60 a 90 minutos.

- A prática de exercício físico parece estar a ficar interiorizada nas nossas mentes sendo habitual observar pessoas a caminhar e a correr nas nossas ruas.

- A morte súbita é notícia frequente de primeira página. Morrem em Portugal cerca de dez mil pessoas por ano. O nosso distrito continua a não estar preparado para este combate pela ausência de um Programa de Desfibrilhação que terá que contar com a presença de cardioversores desfibrilhadores em todos os lugares públicos e de pessoas com preparação adequada para estas situações.

- O número de portadores de pacemakers e desfibrilhadores no distrito de Santarém é superior à média nacional, o que parece reflectir os parâmetros de boas práticas, dado o atraso em que nos encontramos a nível do país globalmente, comparativamente à média europeia.

Neste contexto a prevenção deve estar no topo das nossas preocupações e uma alimentação saudável, com diminuição do consumo de alimentos processados, de gorduras, de bebidas açucaradas, do sal e de muitos outros, permite que sejamos mais saudáveis e mais felizes.

Na presença de doença estabelecida, o objectivo será evitar a recidiva de situações que têm sempre um prognóstico mais sombrio caso venham novamente a acontecer.

Os médicos têm o dever de motivar e alertar para todos estes desideratos, mas também de realizarem um diagnóstico correcto, proporem um plano e proporcionarem a melhor terapêutica que pode variar ao longo do tempo e para isso temos que estar atentos.

Assim todos temos que participar nesta discussão. Não esqueça os sinais de alarme e consulte o seu médico de modo periódico.

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