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Morreu Mário Ventura Henriques

Um ribatejano nascido em Lisboa

Mário Ventura Henriques considerava-se “totalmente ribatejano”. O escritor e jornalista, natural de Lisboa, tinha ligações a Vale de Figueira e S. Vicente do Paul. Fez o liceu em Santarém. Faleceu sexta-feira. 

O escritor e jornalista Mário Ventura Henriques, morreu na madrugada de sexta-feira, 16 de Junho, aos 70 anos de idade. Natural de Lisboa, o também director do Festival de Cinema de Tróia (Festróia) tinha ligações profundas ao Ribatejo e em alguns documentos aparece mesmo como tendo nascido em Santarém.Em Dezembro de 1998 explicava numa entrevista a O MIRANTE as razões desse equívoco: “De facto nasci em Lisboa mas sou totalmente ribatejano. Toda a minha família é de Vale de Figueira e de S. Vicente do Paul”. A ligação à região nunca foi cortada como nos contou na altura. “Mantenho essa proximidade e até trabalhei essas raízes nos meus livros. Vou lá sempre que posso. E não é por saudosismo. O meu nome de família é muito repetido nas lápides do cemitério de S. Vicente do Paul”.Mário Ventura Henriques fez o liceu em Santarém no Sá da Bandeira. Na entrevista que temos vindo a citar, feita por José do Carmo Francisco, diz que na altura conviveu com Veríssimo Serrão e que foi ele que lhe revelou a obra do escritor neo-realista Soeiro Pereira Gomes. A paixão pela escrita nasceu antes: “No primeiro ano do ciclo preparatório tive um professor notável, Melo Furtado, que me empurrou muito para a leitura e depois para a escrita. Foi uma paixão para sempre”.Enquanto jornalista, Mário Ventura Henriques, passou pelas redacções do “Diário Popular”, “Diário de Notícias” e “Seara Nova”, fundou o semanário “Extra” e foi responsável pela edição portuguesa da revista espanhola “Câmbio 16”. Acreditava a imprensa regional “insubstituível”. “Não tem ainda a força que tem em França ou Espanha mas há-de ter”.Escreveu vários livros, entre os quais “Vida e Morte dos Santiagos” (1985), distinguido com o prémio de literatura do Pen Clube Português e com o Prémio Município de Lisboa. O seu primeiro livro, “A Noite da Vergonha”, foi editado em 1963. No ano passado foi publicado “O Reino Encantado”. Mário Ventura foi ainda presidente da Associação Portuguesa de Escritores.Quando do 25 de Abril de 1974 estava preso por motivos políticos no Forte de Caxias tendo sido libertado pelos militares que derrubaram o regime. Sobre a liberdade e os novos medos confessou a O MIRANTE: “Hoje os medos são mais psíquicos. As pessoas sentem-se inseguras perante as mudanças de todo o tipo. Os desastres ecológicos, o tráfico de droga, a SIDA. Por outro lado as democracias são cada vez mais musculadas, rígidas e repressivas”.Mário Ventura Henriques faleceu em Lisboa no Hospital Pulido Valente. O funeral realizou-se Sábado em Setúbal no cemitério de Nossa Senhora da Piedade.

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