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Termómetros de mercúrio foram proibidos por serem perigosos mas plano de recolha é desconhecido

Termómetros de mercúrio foram proibidos por serem perigosos mas plano de recolha é desconhecido

Com a ameaça de gripe A e as habituais constipações os velhos medidores de temperatura voltam ao activo

Os termómetros de mercúrio, cujo fabrico e utilização está proibida desde Abril, ainda vão ser utilizados nas casas de muitos portugueses quando começarem as gripes e constipações. Não houve qualquer campanha de troca e as informações sobre a necessidade de os trocar passou despercebida.

Se tem algum termómetro de mercúrio em casa, saiba que tem em seu poder algo cujo fabrico e utilização estão proibidos nos 27 países da União Europeia desde 1 de Abril deste ano. Se quiser desfazer-se dele sem provocar danos no ambiente, uma vez que o mercúrio é um metal pesado altamente poluente, prepare-se porque não vai ser fácil. Ao contrário do que acontece com muitos resíduos que são enviados para reciclagem ou tratamento, não há em Portugal nenhuma entidade a recolher os velhos termómetros.Há dez anos a União Europeia aprovou uma directiva que previa a substituição gradual dos termómetros de mercúrio. Portugal adoptou a directiva e através da Portaria 744-A/99, da Secretaria de Estado da Saúde, definiu um conjunto de medidas de acção, algumas das quais nunca foram implementadas ou tiveram fracos resultados. Entre elas estava o estudo de “campanhas de trocas de termómetros de mercúrio por termómetros de outro tipo” e a “sensibilização da população (…) para a vantagem da substituição dos termómetros de mercúrio por outros ambientalmente adequados”.Não houve campanha de trocas e se alguma sensibilização foi feita não teve a eficácia que se desejava. Uma década passada e mais de meio ano depois de ter sido totalmente proibido o fabrico e uso de termómetros de mercúrio O MIRANTE falou com várias pessoas e todas se mostraram surpreendidas. “Não fazia ideia que fosse proibido utilizá-los. Tenho uns três lá em casa e continuo a usá-los. Nunca tive problemas com eles. Se pode prejudicar a nossa saúde acho que devia haver informação sobre o assunto”, diz Maria Augusta Madeira, 62 anos, de Almeirim.Francisco Tomé, 39 anos, residente em Santarém, também não sabia de nada. “Costumo ir aos Centros de Saúde e à Farmácia e nunca ouvi falar nessa história. Por acaso, há pouco tempo comprei um termómetro e era digital, mas ainda tenho lá um de mercúrio em casa que de vez em quando é utilizado”, afirma preocupado com o facto dos termómetros de mercúrio serem prejudiciais para a saúde das pessoas.O assunto que foi bastante noticiado quando da directiva de 1999 volta à ordem do dia por ter terminado o prazo dado pelo Decreto-lei nº 76/2008 de 28 de Abril para o fabrico e utilização dos medidores de temperatura com mercúrio.Segundo o gabinete de imprensa do Ministério do Ambiente, a Direcção Geral da Saúde (DGS) elaborou e distribuiu pelas Administrações Regionais de Saúde documentação informativa, através de panfletos, sobre o assunto dos termómetros de mercúrio para colocar nos Centros de Saúde (CS) do país. O MIRANTE viu cópia de um desses documentos onde se aconselha os cidadãos a entregar os velhos termómetros nos centros de saúde e se sugere um contacto com a linha Saúde 24 em caso de dúvidas. Mas muitos centros de saúde nunca ouviram falar de tal coisa.“Não tenho conhecimento do assunto e nunca veio aqui ninguém entregar termómetros. Até pensava que essa recolha era feita nas farmácias”, explicou uma funcionária do Centro de Saúde de Santarém. No Centro de Saúde de Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, a reacção foi semelhante. O recepcionista não sabia nada sobre a recolha de termómetros e comunicou-nos que o assunto teria que ser falado com a direcção do CS de Alverca que nos pediu para enviarmos as questões por e-mail, o que fizemos, não tendo obtido qualquer resposta.Dos vários Centros de Saúde contactados apenas no de Tomar – Unidade de Santa Maria – os funcionários sabiam do assunto. “As pessoas podem entregar aqui embora não tenhamos recebido nenhum até hoje. A população não tem conhecimento da recolha de termómetros”, disse uma das funcionárias daquela unidade.Algumas farmácias da região costumam ser contactadas por pessoas que querem entregar termómetros de mercúrio. Embora não exista qualquer plano de recolha há uma ou outra que aceita os termómetros e que os envia com os outros resíduos que são recolhidos regularmente pela empresa contratada para esse efeito.
Termómetros de mercúrio foram proibidos por serem perigosos mas plano de recolha é desconhecido

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