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Empresários não investem em Santarém por falta de terrenos e de mão-de-obra
Santarém precisa de mudar o paradigma e encontrar mais mão-de-obra e empresários dispostos a investir

Empresários não investem em Santarém por falta de terrenos e de mão-de-obra

Jovens recém-licenciados também não se fixam no concelho por não haver trabalho.

Edição de 19.12.2018 | Economia

A falta de mão-de-obra e de terrenos disponíveis na Zona Industrial de Santarém são as principais barreiras ao desenvolvimento empresarial de Santarém. Apesar de haver “alguma procura” por parte de potenciais investidores, para localizarem as suas empresas no concelho, a maioria acaba por desistir logo após os primeiros contactos. Se por um lado a Zona Industrial de Santarém “não tem terrenos para disponibilizar”, por outro lado, “a falta de mão-de-obra qualificada e não qualificada é um problema”, admitiu o presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), durante a conferência sobre “O Desenvolvimento Empresarial em Santarém”, que a Associação Mais Santarém - Intervenção Cívica promoveu, na quinta-feira, 6 de Dezembro, na Casa do Brasil.
“É uma realidade, não vou negar. A Zona Industrial de Santarém não tem capacidade e temos muita dificuldade em arranjar espaços para disponibilizar aos empresários que chegam até nós, com vontade de aqui localizar as suas empresas”, referiu ainda Ricardo Gonçalves. Segundo o edil, o grande problema da Zona Industrial de Santarém é que “não foi programada”. O Plano Director Municipal (PDM) é “condicionador”, pois tem “muitos erros graves” que ainda hoje continuam”.
Muitos empresários viram costas a Santarém e esse não é o único factor que faz estagnar o desenvolvimento empresarial e, por sua vez, económico, do concelho. A falta de mão-de-obra qualificada e não qualificada surge como outro factor de entrave. “Aquilo que temos também conhecimento é que é muito difícil encontrar no concelho mão-de-obra, seja qualificada ou mesmo não qualificada”, apontou ainda Ricardo Gonçalves.
Com duas instituições de ensino superior a funcionar no concelho (Instituto de Línguas e Administração - ISLA e o Instituto Politécnico de Santarém - IPS), a falta de mão-de-obra qualificada torna-se difícil de explicar. Apesar de Ricardo Gonçalves defender que “uma região só cresce, se crescerem os estabelecimentos de ensino superior”, foi o empresário e antigo deputado à Assembleia da República, eleito pelo PS, Henrique Neto, que colocou o dedo na ferida: “Se estamos numa região, seja ela qual for, que precisa de engenheiros e, nessa mesma região, os estabelecimentos de ensino superior estão a formar psicólogos ou professores, encontramos a explicação para o problema”.

Jovens vão estudar para fora e já não voltam
A desadequação das licenciaturas e mestrados existentes nos estabelecimentos de ensino superior de Santarém não foi bem recebida pelos responsáveis dos mesmos, que marcaram também presença no debate e que aproveitaram para passar a bola, recorrendo ao aspecto demográfico. “A grande maioria dos jovens do concelho de Santarém não fica cá para fazer os seus estudos superiores, prefere ir para fora. E muitos deles não voltam”, apontou Sérgio Cardoso, sub-director da Escola Superior de Gestão e Tecnologia do IPS. “E aqueles que nos procuram terminam os seus estudos e não se fixam aqui para ingressar no mercado de trabalho”, acrescentou. A falta de oferta de emprego nas áreas em que se formaram e a pouca atractividade da cidade são alguns dos motivos.
Opinião partilhada por Filipa Martinho, delegada do administrador do ISLA de Santarém, que sente a mesma frustração. “É muito dificil fixar aqui os jovens nas empresas e no mercado de trabalho”, disse, admitindo que os estabelecimentos de ensino superior têm que saber “ajustar-se às necessidades das empresas do concelho”.
Na conferência marcou ainda presença José Eduardo Carvalho, presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), bem como eleitos da Assembleia Municipal de Santarém e alguns empresários do concelho.

Criação do próprio emprego prolifera na região

Desde o início do século XXI que Santarém começou a olhar para a criação do próprio emprego de outra forma. A crise financeira que Portugal atravessou atirou muitos trabalhadores por conta de outrém para o desemprego e, como consequência, a população mais jovem que se viu nessa condição decidiu apostar em lançar-se por sua conta e risco no mercado de trabalho. Desde há 18 anos foram criadas 3.378 empresas em nome colectivo, 1897 empresas em nome individual e cerca de 4500 entidades empregadoras, no distrito de Santarém. Os números foram apresentados por Renato Bento, director do Centro Regional de Segurança Social de Santarém, que também marcou presença nesta conferência.

Mais de metade das empresas criadas morre após dois anos

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma debilidade no sector empresarial em Santarém, apesar de, comparativamente a anos anteriores, sentir-se um ligeiro crescimento. Contudo, 51,6% das novas empresas criadas no concelho “morrem” ao fim de 2 anos de actividade.
Em média são criadas, anualmente, 167 empresas e 650 novos postos de trabalho. Santarém é o município que mais contribui para a criação de emprego, de todas as regiões que fazem parte da NUT III da Lezíria do Tejo, num valor que ronda os 30%. Neste momento apresenta uma taxa de desemprego de 4% e a taxa de exportações situa-se nos 13%.
Ricardo Gonçalves aproveitou para enumerar alguns investimentos que estão já a ser feitos, aprovados pelo Governo. As Centrais Solares da Escalabis Solar, em Santarém (81 milhões de euros), a ampliação da fábrica Font Salem, em Santarém (40 milhões de euros), a Valsabor, em Alcanede (15 milhões) e ainda a ampliação da fábrica Olitrem, em Tremês.

José Eduardo Carvalho recorda “visão de excelência” de Sérgio Carrinho

José Eduardo Carvalho, ex-presidente da direcção da NERSANT e, actualmente, presidente da direcção da Associação Industrial Portuguesa (AIP) recordou o ex-presidente da Câmara da Chamusca, Sérgio Carrinho, para mostrar a “visão de excelência” que o antigo autarca teve, a propósito da criação do Eco Parque do Relvão, localizado na freguesia da Carregueira.
Esse projecto foi trazido para a mesa de debate como exemplo de boa prática e estratégia política. “Em 15 anos transformou uma vila agrícola em industrial, com um investimento de 250 milhões de euros e a criação de cerca de 500 postos de trabalho, alguns qualificados”, sublinhou o presidente da AIP.
José Eduardo Carvalho considerou ainda que “não existem regiões condenadas à estagnação”, desde que haja união e força política. “Sérgio Carrinho fez um trabalho notável. Conseguiu unir as forças políticas para chegar a um consenso que tinha em vista um só foco: a união por este projecto e o desenvolvimento do seu concelho e foi muito bem sucedido”.

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