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Agentes culturais da região foram abandonados pelo Estado
Pedro Ribeiro, Ana Amendoeira e Nuno Domingos após a tertúlia do Círculo Cultural Scalabitano

Agentes culturais da região foram abandonados pelo Estado

Santarém é a única região do país onde não existe uma Direcção Regional de Cultura. Tertúlia “À mesa com…”, promovida pelo Círculo Cultural Scalabitano, contou com a presença da directora regional de Cultura do Alentejo, Ana Amendoeira. Uma ocasião aproveitada pelos dirigentes da colectividade para voltarem a criticar a opção do Governo.

Edição de 06.02.2019 | Sociedade

O Círculo Cultural Scalabitano (CCS), de Santarém, vai remeter aos decisores políticos uma carta para contestar a ausência de uma política pública de cultura num território de 52 concelhos - que abrange o Ribatejo, Oeste e a Grande Lisboa -, o único do país onde não existe uma Direcção Regional de Cultura.
A situação dos 52 concelhos que eram abrangidos pela Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, extinta em 2011, e que viram as competências desta integradas nas Direcções Gerais das Artes e do Património Cultural, esteve no centro da primeira tertúlia “À mesa com…”, promovida pelo Círculo Cultural Scalabitano. Uma iniciativa que decorreu a 18 de Janeiro, no restaurante Adiafa, e contou com a presença da directora regional de Cultura do Alentejo, Ana Amendoeira.
“Consideramos que esta é a altura ideal para expor este nosso anseio junto do Estado. Não podemos continuar a permitir que, no caso das artes, em todas as outras regiões do país encontremos as direcções regionais a promoverem o conhecimento e a divulgação, quer dos programas de apoio, quer da formação ao nível das diferentes áreas e neste território nada disso exista. Os agentes estão deixados ao abandono”, pois “não há um interlocutor que pense a globalidade de um território importante”, admite Nuno Domingos, vice-presidente do CCS.
Para a directora regional de Cultura do Alentejo, as Direcções Gerais das Artes e do Património Cultural não têm capacidade para acompanhar a quantidade de concelhos que integram. “Eles deviam estar mais próximos dos municípios, preocuparem-se em diminuir as assimetrias entre as cidades e as aldeias e equilibrar os apoios às associações para que todos tenham acesso à cultura”, defende.

“Cultura não é só aquilo que se passa nos grandes palcos”
Presente na tertúlia esteve também o presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), Pedro Ribeiro, igualmente presidente da Câmara de Almeirim. O autarca confessa que ainda existe o problema do elitismo centralista de Lisboa “que entende que cultura é só aquilo que se passa nos grandes palcos e o resto é paisagem”.
É por isso, defende, que os municípios da Lezíria do Tejo continuam a lutar para que se faça urgentemente uma reorganização na área da cultura. “Ou criam uma nova NUT 2 (com a Lezíria, o Médio Tejo e o Oeste) ou separam-nos definitivamente e ligam o Ribatejo ao Alentejo”, revela Pedro Ribeiro, admitindo que preferia que seguissem a segunda opção, não só porque são bem tratados como também por uma questão de números. “Não há dados sobre as implicações de não termos direcção regional cultural, mas os resultados estão à vista: obras paradas porque se descobriram ‘ossos’ e o dinheiro gasto à conta disto”, adianta o autarca.

Agentes culturais da região foram abandonados pelo Estado

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