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Dirigentes acusadas de rombo de 169 mil euros na Casa do Povo da Chamusca

Para o Ministério Público a presidente ajudada pela secretária andou a viver à conta da instituição. Segundo o Ministério Público, Maria Leonor Feiteiro levantou dinheiro das contas da Casa do Povo e pagou combustíveis e comunicações pessoais. A presidente, com a ajuda de Maria Teresa Brás, deram uma casa da instituição ao filho da secretária da direcção, além de terem vendido outra a preço muito abaixo do valor real.

Edição de 06.02.2019 | Sociedade

A presidente e a secretária da direcção da Casa do Povo da Chamusca, respectivamente Maria Leonor Feiteiro e Maria Teresa Brás, estão acusadas pelo Ministério Público de terem lesado a instituição em cerca de 169 mil euros. Diz a investigação que a presidente usou dinheiro em proveito próprio com a ajuda da secretária. O caso está agora a ser reavaliado, a pedido das visadas, pelo juiz de instrução criminal de Santarém, que tem vindo a ouvir testemunhas e as arguidas. E que em breve vai decidir se leva as dirigentes a julgamento pelos crimes que lhes estão imputados, se os altera, ou se decide arquivar o processo.
Segundo o processo, entre 2009 e Abril de 2014, através de cheques e de cartões multibanco, Maria Leonor levantou 121 mil euros das contas bancárias da Casa do Povo. Só em combustível usado no carro que estava em nome da filha da presidente a instituição pagou cerca de 11.600 euros, entre 2009 e 2016. Também aproveitou para pagar as facturas das comunicações móveis pessoais, entre 2014 e 2016, no valor total de 750 euros. Pagou numa caixa multibanco na Chamusca com o cartão da Casa do Povo livros encomendados por uma pessoa que nem sequer era sócia da instituição, no valor de 282 euros, conforme foi apurado pela investigação.
A investigação, que começou com uma inspecção da Autoridade Tributária, defende a tese de que as dirigentes têm vivido à custa da Casa do Povo, proprietária de cerca de seis dezenas de imóveis. A acusação sustenta ainda que as arguidas aproveitaram-se do desinteresse dos sócios com a actividade da Casa do Povo para alterarem os estatutos no Cartório da Sertã e “criarem mecanismos de justificação junto de terceiros das apropriações indevidas”.
O processo refere ainda uma situação que beneficiou o filho de Maria Teresa com uma casa propriedade da instituição. Márcio Brás é também, por esse motivo, arguido no processo. Segundo a acusação, em 2009, pouco tempo depois de terem tomado posse nos cargos, foi feito o registo de um imóvel a seu favor sem ter sido paga qualquer quantia. Pelo que, refere o Ministério Público, as arguidas ofereceram o imóvel com um valor de mercado não inferior a 15 mil euros, ao filho da secretária da direcção.
Há ainda uma outra situação, a 29 de Dezembro de 2008, de uma casa vendida e escriturada também na Sertã, a um preço muito abaixo do valor de mercado. Diz o processo que a casa número 26 foi vendida por 5.200 euros, quando o valor patrimonial era de 13.814 euros e estava avaliada em 17.500 euros. O processo refere que desde 2008 as arguidas mantêm a sede da Casa do Povo fechada ao público e associados e desde essa altura não promove actividades de animação sociocultural ou de solidariedade social.

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