Sociedade | 14-12-2018 12:30

Protesto de bombeiros não compromete socorro às populações

Algumas corporações da região deixaram de responder e reportar ao Comando Distrital de Operações de Socorro.

Cinco das 28 corporações de bombeiros do distrito de Santarém aderiram ao protesto da Liga dos Bombeiros Portugueses, escusando-se desde o início desta semana responder e reportar ao Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS).

"São cinco as corporações de bombeiros que não estão a responder às chamadas do CDOS, estando 100% operacionais e com as populações salvaguardas em termos de socorro", disse à Lusa o vice-presidente técnico da federação de um distrito que conta com 28 corporações de bombeiros, entre voluntários e municipais, nos 21 municípios do distrito de Santarém.

"Recebemos notificação de intenção de participação no protesto de 16 das 28 corporações, sendo que, desde as 00h00 de domingo, foram seis as corporações de bombeiros do distrito de Santarém as que aderiram de imediato ao protesto, não reportando dados, nem respondendo ao CDOS", afirmou à Lusa o vice-presidente técnico da Federação Distrital dos Bombeiros de Santarém, Adelino Gomes.

Entretanto, segundo acrescentou, "os Bombeiros Voluntários de Abrantes recomeçaram no domingo à noite, cerca das 23h00, a reportar", mantendo-se em protesto as corporações de Constância, Torres Novas, Pernes, Samora Correia e Rio Maior.

A Lusa contactou também o presidente Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, que é também presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, que admitiu “não estar tranquilo nem confortável com as possíveis consequências deste protesto para o bombeiro, que não pode ficar exposto a estas eventuais decisões dos comandantes e directores" das corporações.

Por isso, João Furtado assumiu o "retomar das comunicações com o CDOS na noite de domingo por parte da corporação dos bombeiros de Abrantes" e avançou ter solicitado o "pedido de convocatória para uma Assembleia Geral urgente na Federação" dos bombeiros do distrito de Santarém, que aguarda por agendamento.

"Defendo uma análise pormenorizada das eventuais consequências legais que possam advir deste tipo de protesto para o bombeiro", reiterou, tendo feito notar que "o cerne da questão é saber se comandantes e directores [das corporações] não estão a decidir sobre algo que pode prejudicar o bombeiro no teatro de operações".

O vice-presidente técnico da Federação, Adelino Gomes, confirmou o pedido de agendamento de Assembleia Geral urgente e de uma reunião com todos os comandos do distrito, tendo referido que alegadas "pressões políticas" estarão na origem da realização das reuniões que vão decorrer esta semana.

O responsável sublinhou que "o socorro não está em causa, apenas não reportam a saída de viaturas e os pontos de situação", tendo lembrado que, se houver alguma necessidade que exija meios além da área de intervenção de cada corporação, o plano estipula que a corporação onde ocorra o incidente entre em contacto com as mais próximas.

A ausência de reporte de informação desde as 00h00 de domingo é uma das medidas de protesto da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP) contra a proposta do Governo para a nova lei orgânica. Uma das novidades contestada na nova lei orgânica é a área de actuação dos CDOS deixar de corresponder aos distritos e passar a ter a abrangência das comunidades intermunicipais.

A LPB reivindica uma direcção de bombeiros autónoma independente e com orçamento próprio, que diminua os custos e aumente a eficácia, um comando autónomo e o cartão social do bombeiro.

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