Sociedade | 07-01-2019 12:30

Camões tem uma Casa-Memória em Constância que o Estado ignora

Camões tem uma Casa-Memória em Constância que o Estado ignora

Casa dedicada ao poeta foi concluída há 12 anos mas ainda não foi inaugurada. É um edifício moderno que se desenvolve ao longo de cinco pisos pela colina acima, ocupando um quarteirão desde a margem do Tejo até à Rua da Barca.

Constância tem uma casa dedicada à memória de Luís Vaz de Camões, o poeta português que se tornou símbolo da nossa identidade. A Obra deve-se acima de tudo à jornalista Manuela de Azevedo que dedicou parte da sua vida ao estudo da vida e da Obra do autor de “Os Lusíadas”.

O conselho geral da NERSANT reuniu no espaço em assembleia geral e a Fábrica do Caima inaugurou uma exposição comemorativa dos 130 anos da empresa que vai estar patente ao público até Maio de 2019. António Matias Coelho, presidente da associação que gere a Casa, dirigiu-se aos empresários e apelou à sua ajuda para que o poeta português tenha uma casa com a dignidade que merece.

A Casa-Memória é um edifício novo, construído sobre as ruínas da casa quinhentista que o povo diz ter acolhido o poeta durante a sua permanência em Punhete (agora Constância). As ruínas foram consolidadas e classificadas como imóvel de interesse público e o edifício foi sendo erguido, num processo difícil e lento, ao longo de cerca de vinte anos, ao ritmo dos financiamentos que Manuela de Azevedo ia conseguindo reunir. É um edifício moderno, amplo, que se desenvolve ao longo de cinco pisos pela colina acima, ocupando um quarteirão desde a margem do Tejo até à Rua da Barca.

Manuela de Azevedo conseguiu erguê-lo mas não teve tempo de vida para tratar do seu recheio. Concluída há 12 anos, continua por inaugurar porque não dispõe de conteúdos para cumprir a sua função: mostrar Camões, o tempo de Camões, a vida de Camões, a obra de Camões, a relação de Constância com a memória de Camões, a universalidade da língua e da literatura portuguesas que Camões simboliza. Para isso precisa de uma verba avultada que não está ao alcance da Associação.

As palavras são de António Matias Coelho, responsável pela associação que gere o espaço: “A solução para dotar a Casa-Memória de Camões com os conteúdos de que carece terá de ser encontrada em conjunto com o Estado português. Portugal não tem, e deveria ter, uma Casa de Camões que dignifique o épico e o que ele representa, como os ingleses têm a Casa de Shakespeare, os italianos a Casa de Dante ou os espanhóis a Casa de Cervantes. E, no entanto, a casa existe, nova, espaçosa, funcional, erguida ela própria com apoios do Estado, situada no centro do país, servida por excelentes acessos e numa vila que tem com Camões uma relação de afeto como nenhuma outra terra em Portugal”, referiu na conversa com os empresários do Conselho Geral da NERSANT.

Sobre o que foi feito Matias Coelho diz que “já falámos e tivemos a atenção das diversas forças políticas, do Presidente da República ao ministro da Cultura, mas até agora sem resultados”. Lembrou o trabalho e a persistência de Manuela de Azevedo, a fundadora, para referir que “a direcção da Casa-Memória sabe quanto estes processos são complexos e difíceis, exigindo paciência e persistência. A Associação continuará a sua batalha para conseguir concretizar o objetivo de abrir com dignidade a Casa-Memória de Camões que serve Constância e o país. E o apoio dos empresários não tem de ser necessariamente financeiro, pode assumir outras formas. O auditório onde a NERSANT vai realizar o seu conselho geral, e que tem excelentes condições, pode ser disponibilizado a empresas para realizar reuniões e outros eventos “em troca de uma pequena contrapartida, que é de grande importância para a Associação”, referiu.

Jardim-Horto Camões renovado com novos frutos e flores cantados pelo poeta

Espaço implantado há cerca de 30 anos em Constância nunca tinha beneficiado de qualquer intervenção de fundo.

A requalificação do Jardim-Horto Camões, em Constância, com os 52 frutos e flores cantados por Camões na obra “Os Lusíadas”, está concluída com a colocação das respectivas placas identificativas, anunciou a Associação Casa-Memória de Camões.
“Cumprindo uma vontade da nossa fundadora Manuela de Azevedo, concluiu-se agora a renovação do Jardim-Horto de Camões no que respeita às plantas, com recurso a uma empresa da especialidade que procedeu a replantações, repondo espécies que faltavam, mudando outras de canteiro por não estarem no lugar adequado, ajustando outras em função da luz solar e da humidade”, disse o presidente da Associação Casa-Memória de Camões, António Matias Coelho.
O Jardim-Horto de Camões, implantado há cerca de 30 anos em Constância, “nunca tinha beneficiado de qualquer intervenção de fundo”, notou Matias Coelho, referindo que, naquele espaço que acolhe cerca de três mil visitantes por ano, foram substituídas as placas identificadoras das espécies vegetais por outras novas e “esteticamente mais interessantes”, projectadas pelo associado e arquitecto Álvaro Lacerda-Machado, que “contêm informação mais detalhada e mais rigorosa”.
No ano passado, substituiu-se a parte mais degradada do piso por calçada à portuguesa e colocou-se um grande tabuleiro de xadrez, também em calçada à portuguesa. “Este conjunto de intervenções importou em cerca de 22.000 euros”, disse o presidente da Associação Casa-Memória.
O espaço, na zona ribeirinha, inclui o Jardim de Macau, o Planetário de Ptolomeu, um auditório ao ar livre, um painel de azulejos que representa todas as partes do mundo que Camões pisou, de Lisboa a Macau, passando por África e pela Índia, e uma enorme esfera armilar de Portugal, que assinala os 500 anos dos Descobrimentos, eternizados pelo poeta em “Os Lusíadas”.

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