Sociedade | 16-04-2019 10:00

Presidente da ANEPC falou em Abrantes sobre prevenção de incêndios

Antecipar o risco e prevenir é "a grande lição" a retirar do histórico dos incêndios em Portugal, defende Mourato Nunes.

"A grande lição, quero crer que apreendida, diz-nos que os sistemas de resposta [aos incêndios rurais], por melhor que sejam, tendem a ser insuficiente e pouco eficazes, se os processos de antecipação de risco e prevenção não forem desenvolvidos de forma oportuna e adequada", referiu em Abrantes o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), numa intervenção num seminário organizado pelo Exército sobre "Apoio Militar de Emergência - Evolução e Tendências", na quarta-feira, 10 de Abril.

Perante uma plateia repleta de militares, autarcas, bombeiros, agentes de protecção civil e diversos especialistas, Mourato Nunes defendeu que "antecipar o risco, potencial, e prevenir, tanto para evitar como para limitar as consequências dos eventos, tem de ser uma das prioridades fundamentais do sistema de Protecção Civil".

Tendo lembrado que a criação do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME) em Novembro de 2016 em Abrantes, tal como a realização do seminário, "deve ser entendida no contexto de transformação e adaptação das capacidades nacionais de Protecção Civil e Emergência" face ao "novo quadro de ameaças associado às catástrofes naturais e de origem humana", Mourato Nunes disse que "nunca como hoje a Humanidade esteve tão exposta e vulnerável aos riscos ambientais, tecnológicos e de contexto", apesar do "extraordinário nível de meios e de capacidades disponíveis para lhes fazer face".

O presidente da ANEPC notou que "em Portugal, tal como na generalidade dos estados, as medidas de fundo em matéria de Protecção Civil, pela sua grande exigência ao nível orçamental, normalmente só são adoptadas na sequência de situações de catástrofe".

Ao nível do trabalho desenvolvido e da nova lei orgânica, Mourato Nunes disse que a ANEPC, em conjugação de esforços com outros parceiros, tem vindo a "desenvolver e a implementar vários projectos dirigidos à antecipação e prevenção das situações de risco, integrando estratégias, modelos de intervenção e sistemas de alerta, concebidos e operados com base no conhecimento científico e tecnológico".

Mourato Nunes disse ainda que "tanto a orgânica como os dispositivos e meios de intervenção reflectem o foco na ameaça" dos fogos rurais, "a mais frequente e a que representa maior risco para a segurança de pessoas e bens", antes de fazer uma referência a uma medida "eminentemente política" relativamente à reorganização territorial da Protecção Civil que prevê a extinção dos 18 comandos distritais passando-se para uma estrutura composta por cinco comandos regionais - Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve -, e 23 comandos sub-regionais (que coincidem com as entidades intermunicipais constituídas).

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