Sociedade | 22-06-2019 07:00

Associação de Eliseu Raimundo atolada em dívidas e em risco de fechar

Associação de Eliseu Raimundo atolada em dívidas e em risco de fechar
DÍVIDAS

Instituição de apoio social de Santarém com seis dezenas de trabalhadores deve um milhão de euros

A Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém (ADSCS) deve cerca de um milhão de euros e o seu futuro pode passar por fechar. Uma comissão administrativa que tomou conta da instituição está a avaliar se há condições para continuar a prestar serviço a centenas de utentes em apoio domiciliário e em duas creches, além de outros projectos. O presidente da associação há cerca de 26 anos e seu fundador, Eliseu Raimundo, demitiu-se em Abril por considerar não ter condições para resolver os problemas gerados pelo descalabro financeiro. Além dos utentes há seis dezenas de funcionários que dependem desta instituição criada em 1990.

Com uma dívida de 644 mil euros à Segurança Social a instituição está bloqueada, porque como deve ao Estado não pode receber dinheiro das instituições públicas. O abismo já vinha a aproximar-se há algum tempo, devido a empréstimos bancários que se foram fazendo para ter as valências a funcionar quando, no início, não havia acordos de cooperação para financiamento por parte de instituições públicas. Só de 2017 para 2018 a dívida da associação à Segurança Social aumentou em cerca de cem mil euros.

Com um quadro negro, o líder da comissão administrativa saída da última assembleia-geral, à qual não apareceram interessados em formar uma direcção, diz que se disponibilizou numa perspectiva de tentar ajudar a associação para não fechar. Luís Mena Esteves, em declarações a O MIRANTE,
é peremptório: “Temos de avaliar se vale a pena continuar”. Para complicar, o relatório de contas de 2018 foi reprovado pelo sócios e há agora todo um trabalho de se tentar perceber as movimentações financeiras e encontrar as explicações a dar numa próxima assembleia.

Empréstimos e obras com derrapagens

A ADSCS começou a funcionar a balões de oxigénio logo que construiu a primeira creche. Como não tinha acordo de financiamento com a Segurança Socia pediu um empréstimo bancário para a obra e mais outro para a derrapagem no orçamento da construção. O exemplo não foi suficiente para evitar que a direcção liderada por Eliseu Raimundo voltasse a entalar-se, nas mesmas circunstâncias, com a construção da segunda creche. A associação ainda foi vítima de uma dívida da Câmara de Santarém quando era presidida por Moita Flores, que a deixou a arder com muitos milhares no serviço de fornecimento de refeições a alunos de escolas do primeiro ciclo.

Segurança Social retém verbas para abater dívida

Eliseu Raimundo, em declarações a O MIRANTE, refere que sempre se fez o possível para pagar aos funcionários, embora por vezes com algum atraso. À data da sua demissão devia-se aos colaboradores “alguns meses de duodécimos dos subsídios de férias e de Natal, não existindo ordenados em atraso. Neste momento a Segurança Social está a reter verbas dos acordos de cooperação que tem com a associação para reduzir o montante que a associação lhe deve. O ex-presidente diz que na altura da sua demissão a ADSCS tinha uma elevada quantia do Estado de um projecto concelhio, da qual não pode usufruir por não lhe ser passada a “declaração de não dívida” por parte da Segurança Social.

O ex-dirigente explica que pediu à Segurança Social um maior faseamento para pagamento da dívida, mas, afirma, esta respondeu que tal só era possível com garantias, como a de oferecimento de um bem do presidente da direcção. Eliseu Raimundo garante que não tinha nenhum bem para dar de garantia. Entre a espada e a parede e embrulhado num descalabro financeiro não lhe restou outra alternativa que a demissão imediata, por concluir que a instituição precisava de gente nova “com força e garra para levar por diante este projecto associativo”.

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