Sociedade | 22-06-2019 18:00

Na redacção de O MIRANTE deu-se vida dando sangue

Na redacção de O MIRANTE deu-se vida dando sangue
Vítor Gomes foi um dos dadores que contribuiu com uma dádiva de sangue na recolha de 13 de Junho

Iniciativa decorreu a 13 de Junho, véspera do Dia Mundial do Dador de Sangue. Recolha de sangue nas instalações de O MIRANTE em Santarém realiza-se desde 2006.

Na manhã de quinta-feira, 13 de Junho, pelas 08h30, já os responsáveis do Grupo de Dadores de Sangue de Pernes estavam nas instalações de O MIRANTE em Santarém com o material necessário para mais uma recolha, que este ano calhou na véspera do Dia Mundial do Dador de Sangue. Às 09h00, médicos e enfermeiros estavam preparados para receber os primeiros potenciais dadores. No quintal assaram-se as febras e entremeadas, com pão, para retemperar forças após a dádiva. Nem todos os inscritos puderam contribuir, por motivos vários. Este ano houve 51 inscrições, das quais 17 foram participações pela primeira vez, tendo sido recolhidas 36 unidades de sangue.

João Coelho, 63 anos, já deu sangue 65 vezes e de três em três meses está a cumprir o seu acto de solidariedade. Diz que é necessária uma consciência de cidadania. “Quando sentimos que estamos a ajudar quem precisa nada nos impede de o fazer”, afirma, criticando que deveria haver maior informação para esclarecer as pessoas sobre a importância de dar sangue.

João Inácio, 60 anos, completou a sua 37ª dádiva na iniciativa de O MIRANTE. A primeira vez que deu sangue foi quando a sua avó paterna precisou de uma transfusão. A partir daí dá sempre duas vezes por ano. “O sangue não me faz falta e há sempre alguém que precisa”, diz.

José Rodrigues tem 55 anos e já contribuiu com o seu sangue mais de 60 vezes. Fá-lo para ajudar as pessoas, sobretudo as que sofrem de doenças e acidentes de viação. Sandra Amendoeira, 44 anos, dá sangue desde jovem mas uma dificuldade em encontrar veia fê-la parar durante cerca de cinco anos. Regressou no dia da recolha de O MIRANTE. “Não sabemos o dia de amanhã e devemos ajudar o próximo”, sublinhou.

Carolina Beirão, 32 anos, começou a dar sangue aos 18 anos e fá-lo com regularidade. Considera que ainda há algum estigma em relação à dádiva de sangue. “Conheço pessoas, incluindo na minha faixa etária, que têm medo e acham que não podem fazer a sua rotina diária só porque deram sangue. Ainda há muitos estereótipos em torno desta causa”, refere.

Carolina Crisóstomo, 34 anos, é brasileira e vive em Santarém há cerca de três anos. Sempre disse que assim que tivesse todos os documentos gostaria de retomar o hábito de dar sangue. Em Portugal estreou-se na dádiva de
O MIRANTE.

Professores e alunos da Escola Profissional do Vale do Tejo responderam à chamada de O MIRANTE

Estudantes estreiam-se a dar sangue

Alguns professores e alunos da Escola Profissional do Vale do Tejo (EPVT) estiveram presentes na iniciativa de O MIRANTE. Catarina Santos, 19 anos, Beatriz Assunção, Hugo Rebelo e Maria Tiago, todos com 18 anos, deram sangue. Catarina, Maria e Beatriz estrearam-se nestas andanças enquanto Hugo participou pela segunda vez. Beatriz confessou o seu nervosismo inicial mas sentiu-se satisfeita e com sentimento de dever cumprido. Todos concordam que é importante participar nestes actos de solidariedade para ajudar quem precisa. “Os responsáveis deviam incentivar as pessoas a darem sangue de forma a que se perceba a importância do simples gesto de dar sangue”, afirmou Hugo Rebelo. Gonçalo Carvalho, professor na EPVT, é dador há vários anos. Começou por acompanhar o seu pai e quando atingiu a maioridade começou também a participar. Diz que é um acto de cidadania que não custa nada.

Ricardo Gonçalves, Daniel Mota e Joana Emídio

É fundamental combater diminuição do número de dadores

Quem também marcou presença na iniciativa de
O MIRANTE foi o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, que destaca a importância da dádiva de sangue e sublinha o elevado número de grupos de dadores de sangue no concelho de Santarém. “Há cada vez menos dadores porque existe um limite de idade para dar sangue. As pessoas deixam de dar sangue por já não terem idade para o fazer e é importante que os mais jovens sejam sensibilizados para que se crie esse hábito nas pessoas”, disse.

Para o director-geral do Santarém Hotel, Daniel Mota, o simples acto de dar sangue é ter a possibilidade de ajudar alguém cuja vida pode estar em risco. “A falta de sensibilidade para a importância de dar sangue deve-se aos responsáveis que devem apostar em campanhas de promoção ao longo do ano e insistir na ideia de que estamos a ajudar quem precisa, para quem uma unidade de sangue pode ser um caso de vida ou morte”, realçou.

Perto de uma dezena de profissionais da imobiliária Century 21 - Casas do Gótico contribuíram para a causa

Equipa da Century 21 não faltou à chamada

Uma equipa de cerca de uma dezena de profissionais da imobiliária Century 21 – Casas do Gótico marcou presença na recolha de sangue de O MIRANTE. A directora comercial da Century 21, Rita Sousa, conta que sempre quis completar 18 anos para poder dar sangue. “Podemos ajudar sem nos prejudicarmos e podemos ajudar quem precisa”, disse, lamentando que ainda há quem opte por não dar sangue por achar que vai prejudicar a sua saúde e a sua rotina. A mesma opinião tem Sara Nascimento, recrutadora da imobiliária, que defende que não devemos ser egoístas e todos devem ajudar quem precisa de apoio.

Bruna Pacheco, 29 anos, não pôde dar sangue este ano mas já o tinha feito em Janeiro. A consultora imobiliária defende que se deveria elucidar as pessoas sobre a forma como funciona o processo de recolha de sangue. Sónia Nogueira, 44 anos, deu sangue pela primeira vez há cerca de 15 anos. Sempre que pode participa neste tipo de iniciativas. “Dar sangue é termos um bocadinho de nós que pode servir ao outro. Ainda existe uma questão cultural em que as pessoas se acanham no momento de contribuir com o seu sangue para ajudar”, diz.

Espetar a agulha no braço dos outros não custa nada

Há 18 anos a percorrer o país em recolhas benévolas de sangue, a enfermeira Maria do Carmo Dinis, natural da Chamusca, ainda não se habituou às agulhas no próprio corpo.


Maria do Carmo Dinis, natural da Chamusca, é uma das enfermeiras da equipa do Instituto Português do Sangue e da Transplantação que diariamente percorre o país em acções de dádivas benévolas. Está nessa entidade há 18 anos e é enfermeira há 24. Formada na Escola Superior de Enfermagem de Santarém, em 1995, confessa que não gosta muito de agulhas e sempre que tem que tirar sangue para análises ainda olha para o lado.

“Já espetar a agulha no braço dos outros não me custa nada”, diz-nos divertida enquanto prepara o braço de uma dadora que respondeu à chamada do jornal O MIRANTE na quinta-feira, 13 de Junho, para uma recolha de sangue organizada pelo jornal em parceria com o Grupo de Dadores de Sangue de Pernes.

Micá, como é conhecida entre os colegas, integra a equipa constituída por perto de uma dezena de profissionais, lisboetas na sua maioria, que se deslocou a Santarém para tratar de todo o processo. Uns dedicam-se às inscrições, outros à triagem e outros, onde se inclui Micá, à parte da colheita propriamente dita. É nesta fase que, por vezes, surgem casos caricatos como os desmaios ou os ataques de pânico. “Há pessoas que têm muita vontade de contribuir com uma dádiva, mas quando lhe colocamos a agulha no braço entram em pânico”, conta-nos a enfermeira.

Entre as 51 inscrições feitas nas instalações de O MIRANTE aconteceram apenas dois casos de indisposições, tendo um impossibilitado a dádiva. “Nada de grave” diz-nos Micá, lembrando a importância de uma alimentação correcta antes de dar sangue. Pode-se beber café, chá, leite ou sumo e evitar alimentos gordurosos. O importante, remata, “é não dar sangue em jejum”.

Mário Gomes ofereceu uma gota de sangue em obra de arte a O MIRANTE na pessoa da directora executiva Joana Emídio

Grupo de Pernes realizou 40 recolhas em 2018

O Grupo de Dadores de Sangue de Pernes, liderado por Mário Gomes, realizou, em 2018, 40 acções de recolha de sangue, em que participaram 1400 dadores. “Portugal precisa de 1000 a 1200 unidades de sangue todos os dias por isso as acções de recolha nunca são demais”, explicou o presidente do grupo. Mário Gomes referiu também que a associação tem feito muitas acções de formação nas escolas do concelho para sensibilizar os mais jovens para a importância de se tornarem dadores de sangue.

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