Sociedade | 11-08-2019 15:00

Arcena volta a levar com cinzas e poeiras de origem desconhecida

Arcena volta a levar com cinzas e poeiras de origem desconhecida

Moradores da localidade da freguesia de Alverca desconfiam do aterro sanitário.

A piscina de Luís Santos na residência no alto de Arcena, Alverca, está cheia de cinzas. São pequenas demais para aparecerem na fotografia mas visíveis a olho nu. Aparecem de um dia para o outro, trazidas pelo vento, e quem vive na zona acredita que têm origem no aterro sanitário de Mato da Cruz, no alto de uma colina a poucos quilómetros. Mas a empresa Valorsul, que gere o equipamento, nega a ocorrência de situações anómalas.

São já várias as vezes que a localidade aparece coberta de cinzas e poeiras que se acumulam em automóveis e na roupa que está a secar, chegando a entrar em casa e depositar-se nos móveis. “Não sabemos o que está a acontecer no aterro, mas tem sido um problema no último mês e meio, sentem-se maus cheiros e há um imenso pó no ar, isto para a nossa saúde não pode fazer nada bem”, queixa-se Luís Santos. O vizinho António diz que é preciso que alguém faça alguma coisa. Há pessoas que deixaram de fazer churrascos no exterior porque a carne fica coberta de poeira.

A Valorsul, empresa responsável pelo aterro, diz que não houve, nas últimas semanas, nenhuma alteração ao normal funcionamento do equipamento e sublinha que não foi recepcionada qualquer reclamação dos moradores. A empresa refere que está sempre disponível para avaliar as preocupações das populações, mas para isso é preciso, sublinha, que os moradores se queixem directamente à empresa. Contactada por O MIRANTE a Câmara de Vila Franca de Xira diz também não ter recebido qualquer queixa dos moradores da zona e apela a que, no futuro, as situações anómalas possam ser denunciadas directamente ao município, para serem analisadas e rectificadas.

Queixas com dois anos

O aparecimento de poeiras em Arcena remonta há mais de dois anos e em Dezembro de 2017 o presidente da Junta de Alverca, Carlos Gonçalves, levou as reclamações dos moradores a uma reunião de Câmara de Vila Franca de Xira. Falava-se, na ocasião, de uma “pirâmide” de cinzas e escórias a céu aberto por tratar. Numa visita ao aterro, o vice-presidente do município, António Oliveira (PS), confessou na altura não ter gostado do que viu e exigiu medidas.

Além da deposição de resíduos urbanos que são “cobertos diariamente por forma a controlar a emissão de poeiras e odores”, a empresa explicava que é também feita a deposição de cinzas inertizadas em célula específica, “previamente misturadas com cimento e que não geram cheiros ou poeiras”. O aterro sanitário funciona desde 1996, substituindo uma antiga lixeira a céu aberto. O aterro está a aproximar-se do seu tempo útil de vida, prevendo-se o seu limite do encerramento em 2022.

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